sexta-feira, agosto 05, 2016

Professora carazinhense está entre os 50 finalistas do Prêmio Educador Nota 10

O projeto “Retratos de uma Sociedade Interétnica” é um dos três da área de história que ficou entre os 50 melhores trabalhos do Brasil. Em outubro o projeto poderá ser visto em uma exposição no Museu Olívio Otto
Entre uma e outra aula de história do 8º ano do Colégio Notre Dame Aparecida, alguns alunos começaram a questionar a professora Bruna Anacleto sobre os indígenas. Nos livros de história eles são citados muitas vezes, principalmente no início da colonização do nosso Brasil. Os livros dão a entender que esses indígenas não existem mais, e então, alguns alunos começaram a questionar quem eram aqueles que viviam aqui na região, às margens da rodovia.
A prof. Bruna percebeu que seus alunos, e não só eles, não sabem como realmente vivem os indígenas, os remanescentes desse povo cheio de tradições que vivem espalhados pelo Brasil e também aqui, em Carazinho. Ela começou a pensar em alguma forma de mostrar aos seus alunos como eles vivem – e a forma escolhida para isso foi a fotografia. Com a ajuda do fotógrafo Felipe Granville, e com a abertura da comunidade indígena Váycupry, eles começaram a registrar os detalhes dessa cultura tão diferente que vive tão perto.


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Os alunos também visitaram a aldeia da comunidade / Foto: Felipe Granville



“A ideia foi tentar fazer um projeto que mostrasse através das fotografias como eles vivem, e que também tivesse essa conceituação, esse embasamento antropológico e histórico de toda essa vivência indígena na região e dessas permanências, de como eles se mantém”, ressalta. Depois dos primeiros contatos com a comunidade, alguns alunos também os visitaram pessoalmente acompanhados pelos pais, e até foram convidados para a festa junina que seria realizada na aldeia. “Queríamos mostrar através das imagens como a nossa sociedade, voltada para Carazinho, é diversa, mas que muitas vezes essas pessoas estão na invisibilidade, não são representadas e até mesmo, nem são consideradas carazinhenses”, comenta.



Fotos: Felipe Granville
Fotos: Felipe Granville



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Fotos: Felipe Granville


Enquanto Bruna realizava o projeto com os alunos, entre os meses de abril e junho, viu por acaso que as inscrições para o prêmio Educador Nota 10 estavam abertas e resolveu inscrever o projeto. “Eu vi ali uma possibilidade de compartilhar as ideias, como o próprio edital do prêmio dizia, que se você tinha uma ideia que achava nota 10, ela não poderia ficar só no seu âmbito, ela deveria ser compartilhada”, conta. O resultado saiu nesta semana e entre os mais de 4.200 inscritos, o trabalho da Bruna ficou entre os 50 melhores do Brasil. Na área de história foi um dos três melhores, junto com um projeto da Paraíba e outro de Pernambuco. “Como foi uma pratica pedagógica, eu não imaginava que pudesse se tornar um projeto a nível nacional. Ele foi desenvolvido como um plano de aula, um projeto de tentar aliar o conhecimento e o conteúdo programático da escola com uma vivência”, comenta Bruna. O trabalho não ficou entre os 10 vencedores do prêmio, mas, com certeza, estar entre os 50 finalistas já é um grande reconhecimento.


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Fotos: Felipe Granville


O projeto, que ganhou o nome de “Retratos de uma Sociedade Interétnica”, ainda está em andamento e pretende proporcionar essas trocas de vivências e experiências para mais pessoas. Por isso, todas as fotografias e documentários que fazem parte do seu trabalho estarão expostos no Museu Olívio Otto no mês de Outubro. Além disso, a professora se coloca a disposição para levar o seu trabalho a outras escolas, para que mais alunos também possam conhecer a cultura e a vida dessas pessoas. “O projeto foi desenvolvido de forma voluntária e colaborativa e, assim, queremos mostrar que o trabalho tem um impacto que vai muito além da sala de aula”.


Fotos: Felipe Granville
Fotos: Felipe Granville

(Contato VIP)

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