sexta-feira, fevereiro 17, 2017

Herdeiro da Samsung é preso suspeito de elo com corrupção na Coreia do Sul

Foto: Reprodução
O vice-presidente da Samsung Electronics, Lee Jae-yong, foi preso nesta sexta-feira (17), em Seul sob as acusações de corrupção ativa e perjúrio no caso que levou ao afastamento da presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye.
A polícia deteve o herdeiro do maior conglomerado sul-coreano às 5h30min (18h30min de quinta-feira em Brasília-DF) horas depois de uma decisão do tribunal da capital. É a primeira vez que um membro da cúpula da empresa é preso.

Segundo a Corte, novas provas apresentadas pela acusação mostraram que havia razões suficientes para que a prisão seja decretada. Em janeiro, o mesmo tribunal havia rejeitado um pedido dos promotores por falta de evidências.
Inicialmente, ele ficará 20 dias preso preventivamente. O período de detenção poderá ser alongado se o herdeiro da Samsung for formalmente acusado, ou ele pode ser solto se isso não acontecer neste intervalo de tempo.
Lee Jae-young, de 48 anos, é o único sucessor de Lee Kun-hee, 75, presidente do Grupo Samsung, afastado em 2014 depois de um ataque cardíaco. O pai havia sido condenado em 2008 por corrupção, mas nunca chegou a ser preso.
Em nota, o Grupo Samsung disse que fará o que for possível no futuro para que a verdade seja revelada. A detenção é vista como uma mudança na abordagem judicial contra os grandes conglomerados sul-coreanos.
Além da Samsung, cuja atividade representa 20% do PIB sul-coreano, os investigadores encontraram vestígios de pagamento de propina por outras quatro grandes empresas — Hyundai, SK, Lotte e LG.
Propina
Segundo os promotores, Lee teria autorizado a doação de 20 bilhões de wons (R$ 55 milhões) às fundações de Choi Soon-sil, amiga de Park Geun-hye, que é acusada de extorsão e tráfico de influência.
Além dos pagamentos às fundações, o conglomerado teria aplicado 23 bilhões de wons em um suposto programa de treinamento de cavaleiros sul-coreanos na Alemanha que, dentre os beneficiários, estava a filha de Choi.
Na época, o presidente da associação equestre sul-coreana era Park Sang-jin, atual presidente de relações externas da Samsung Eletronics. A Justiça rejeitou a prisão dele nesta quinta por falta de provas.
Para os investigadores, o dinheiro enviado às entidades era uma forma de extorsão praticada pela amiga em troca de usar a influência dela com a mandatária para obter favores para as empresas.
Neste caso, o suborno seria para que o governo aprovasse a fusão da unidade petroquímica e a divisão de construção. A fusão recebeu o aval do Fundo Nacional de Pensões, vinculado ao governo e acionista de uma das companhias.
O conglomerado também é acusado de superfaturar o preço de venda da Samsung Biologics para o Estado e de pagar propina para a Comissão de Comércio Justo para alterar a composição acionária de suas divisões. (O SUL)

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