terça-feira, fevereiro 21, 2017

Obesidade avança e atinge um a cada seis clientes dos planos de saúde no País

Foto: Fernando Donasci
Dados inéditos de um estudo feito pelo Ministério da Saúde e ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) mostram que a proporção de obesos entre usuários de planos de saúde subiu 36% em sete anos: de 12,5%, em 2008, para 17%, em 2015. Se considerados todos os usuários que estão acima do peso ideal, esse índice já chega a 52,3% – um aumento de 12,5% no mesmo período.
Os números fazem parte da nova edição do Vigitel da Saúde Suplementar, estudo criado para analisar a presença de fatores de risco de doenças crônicas, como excesso de peso, hábitos alimentares, consumo de cigarro e nível de adesão a atividades físicas.
Foram ouvidas por telefone em todas as capitais 30.549 pessoas com planos de saúde (com peso e altura fornecidos por elas). As entrevistas foram de maio e dezembro de 2015 – com margem de erro de dois pontos percentuais.
O excesso de peso é uma tendência crescente também nos últimos anos entre a população geral – na qual esse índice é de 53,9%, segundo dados gerais de estudo ampliado do Vigitel divulgado em 2016 pelo ministério.
Em sete anos, a alta na taxa de excesso de peso entre os brasileiros foi de 20% – em 2008, ela era de 44,9%. Não há dados separados apenas para usuários do SUS. Hoje, 47,5 milhões de brasileiros têm plano de saúde.
São consideradas acima do peso as pessoas cujo IMC (índice de massa corporal), que é calculado com base no peso e altura, é igual ou maior que 25 kg/m². Já a obesidade vale para aqueles cujo índice é igual ou maior a 30 kg/m².
Especialistas apontam maior consumo de alimentos processados, baixo estímulo em educação alimentar e sedentarismo como alguns fatores que levam ao aumento da obesidade no país.
“Temos uma população geneticamente predisposta e uma mudança no acesso à alimentação nos últimos anos. As pessoas estão tendo mais acesso a alimentos e muitos deles são processados e palatáveis demais, porque são ricos em açúcar e gordura. Com isso, tendem a comer mais em termos de paladar do que precisam para ter uma vida saudável”, afirma Maria Edna de Melo, presidente da Abeso (associação brasileira para estudos da obesidade).
Impacto no setor
Para a diretora de normas e habilitação da ANS, Karla Coelho, os dados evidenciam a necessidade de aumentar o debate com as operadoras de planos de saúde sobre alternativas para estimular os usuários a adotarem padrões de vida mais saudáveis.
Isso porque a obesidade é um dos principais fatores de risco para doenças crônicas e cardiovasculares, por exemplo. A boa notícia é que os usuários já começam a se mexer: questionados sobre atividades físicas, 43,4% dizem fazer mais de 150 minutos de exercícios por semana, um aumento de 16% desde 2008.
Há porém outros desafios. Ao todo, 16% dos usuários ainda afirmam estar completamente “inativos” –ou seja, não fizeram nenhum exercício físico moderado (nem mesmo caminhadas de 10 minutos para deslocamentos) nos últimos três meses.
Na alimentação, outros fatores de risco. Embora os dados apontem crescimento no número de usuários que consomem a quantidade recomendada de frutas e verduras, esse percentual ainda é baixo –32% dos usuários. Cerca de 24% comem doces mais de cinco dias na semana, e 27% admitem comer carne com excesso de gordura.
Tendência
Para Solange Mendes, da FenaSaúde, associação que representa algumas das maiores operadoras de planos de saúde do País, a tendência é que mais planos ofertem iniciativas voltadas à prevenção nos próximos anos como forma de evitar um aumento de custos no setor.
“Não diria que é uma redução de custos, mas que é uma forma de contê-los. Hoje a medicina tem avanço constante e o cuidado cada vez é mais caro. Se não houver esse cuidado com saúde, a explosão de custos no cuidado da doença vai tornar proibitivo os preços para o acesso da população [aos planos].” (O SUL)

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