quinta-feira, março 23, 2017

TJ-RS decide que réus da Kiss devem ir a júri popular

Foto: Alina Souza
A 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, por 2 votos a 1, negou recurso e manteve, em julgamento realizado ontem à tarde, a decisão do juiz de Santa Maria, Ulysses Louzada, que encaminha a júri popular os quatro réus do incêndio da boate Kiss, que matou 242 pessoas e deixou 636 feridas, em janeiro de 2013, no município da região Central. Os desembargadores Sylvio Baptista Neto e Jayme Weingarther Neto divergiram da tese do relator, desembargador Manuel José Martinez Lucas, para quem os acusados agiram sem a intenção de matar. A sessão durou cerca de quatro horas. A defesa dos réus ainda pode recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que tende a prolongar ainda mais a espera pela sentença final do caso.
Mesmo com a decisão anterior mantida, os desembargadores determinaram a exclusão das qualificadoras – indícios de autoria de crime que podem aumentar a pena, como motivo torpe e crueldade – e decidiram que os réus serão julgados por homicídio simples (242 homicídios simples e 636 tentativas de homicídios simples, conforme a procuradora de Justiça do Ministério Público, Irene Soares Quadros). No final do julgamento, o advogado Jader Marques, que representa o réu Elissandro Callegaro Spohr, o Kiko, ex-sócio da boate Kiss, evitou confirmar se vai recorrer e disse que, primeiro, quer ter acesso à íntegra dos votos de cada magistrado. “Vou continuar lutando para que as demais autoridades venham ao processo”, acrescentou, ao alegar que existem mais culpados pela tragédia.
Os familiares das vítimas da tragédia acompanharam todo o julgamento. Rosmeri Garcez Biscaino, de 53 anos, é mãe de Cássio, um jovem de 20 anos que não costumava frequentar a boate. “Ele morava em Alegrete e estudava na Unipampa. Naquela noite, os amigos dele insistiram para que ele fosse na festa. Ele foi, mesmo contrariado, e não voltou mais”, contou Rosmeri. Segundo ela, o resultado do julgamento não é uma vitória para os familiares e sim mais uma batalha. “Ainda tem muita coisa pela frente, né. Eu não tenho muita esperança, a nossa Justiça é muito lenta”, ressaltou Rosmeri.
De acordo com o presidente da Associação dos Familiares das Vítimas da Boate Kiss, Sérgio Silva, é necessário acreditar na Justiça brasileira. “Essa resposta foi muito boa pra gente, a Justiça entendeu que não é só uma questão técnica. Se por acaso eles recorrerem, nós estaremos lá. Vamos pressionar sempre”, afirmou Silva. O presidente destacou que os familiares continuam “brigando para incluir mais gente no processo”. (Correio do Povo)

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