segunda-feira, abril 10, 2017

A moeda venezuelana perdeu mais de 135 vezes o seu valor em nove anos

Foto: Reuters
A mesa parece a de uma apreensão de uma boca de fumo ou a de um milionário exibicionista, como o boxeador Floyd Mayweather. São 1.700 notas, atadas em bolos de cem ou 200 cédulas. A quantia representa 170 mil bolívares venezuelanos, parte dos 300 mil obtidos pela reportagem, depois de converter US$ 100 (R$ 315) com um carregador de malas no aeroporto de Caracas.
Os restantes 130 mil foram entregues em notas de 10 mil, que circulam desde janeiro. Se a conversão fosse feita até dezembro passado, seriam mais 1.300 cédulas. O bolívar é a cara mais visível da inflação na Venezuela. A alta de preços, de 25% ao ano sob Hugo Chávez (1954-2013), se acentuou com Nicolás Maduro e hoje se aproxima de 500%.
Desde 2013, quando o pai da Revolução Bolivariana morreu e o afilhado assumiu o poder, o índice de preços ao consumidor avançou 4.257%, ao mesmo tempo em que o PIB (Produto Interno Bruto) encolheu 17%. Neste período, o país passou a sofrer com o desabastecimento e viu se reverter a redução da pobreza sob Chávez. De 27,2%, a parcela de pobres subiu para 81,8%.
A queda brusca dos preços do petróleo, que perfaz 90% das exportações, é apontada pelo governo como a razão da crise, que Maduro atribui a uma “guerra econômica”. No entanto, para Boris Ackerman, professor convidado da Universidade Rei Juan Carlos de Madri, o petróleo foi o estopim de uma situação gestada pelo chavismo.
“A crise ocorreu pela irresponsabilidade fiscal, pela péssima gestão dos recursos das exportações, a inoperância das empresas estatais, as expropriações, a corrupção e a absoluta desarticulação na economia do país”, afirma.
O economista diz que os preços regulados, o controle do câmbio, as leis trabalhistas e o controle do movimento de mercadorias pesam sobre a escassez de produtos. A ameaça de expropriação é apontada como um dos motivos para a fuga dos investimentos privados. Sem contrapartida estatal, recorreu-se à importação e, sem dinheiro, veio o desabastecimento. (O SUL)

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