quarta-feira, maio 10, 2017

Marcopolo fecha unidade Planalto em Caxias do Sul

FOTO:VOLARE
Como forma de reduzir custos e aumentar a sinergia com a operação da Neobus, recentemente incorporada ao grupo, a Marcopolo desativará a unidade Planalto em Caxias do Sul, que completa seis décadas de existência em 2017. A informação chegou ao conhecimento dos colaboradores em março, mas foi tornada pública durante teleconferência de apresentação e análise dos resultados da empresa no primeiro trimestre do ano para analistas de mercado, pelo CEO da fabricante de carrocerias de ônibus, Francisco Gomes Neto. O executivo afirmou que, após a integralização plena da Neobus à Marcopolo, a empresa ficou com três plantas operacionais em Caxias do Sul, situação que será alterada com a concentração em duas. "Ainda não temos os números finais desta mudança, mas seu impacto será grande na redução dos custos fixos. Estamos em fase avançada de estudos", argumentou. A unidade Planalto concentra a produção de micro-ônibus e dos modelos Volare. Embora Gomes Neto não tenha detalhado como e quando se dará a desativação da operação, informações extraoficiais indicam que a montagem dos veículos Volare será feita em estrutura existente na planta da Neobus, construída pelos antigos gestores visando à sociedade com a marca norte-americana para produção de ônibus completo (chassi e carroceria), o que não se confirmou. A área estaria desocupada e em condições de receber a produção, hoje concentrada na unidade Planalto. Fundada em 1957, a planta tem 38 mil metros quadrados de área construída sobre terreno de 48 mil metros quadrados e emprega em torno de mil colaboradores, que deverão ser transferidos para outras unidades. Pedidos em carteira garantem produção para três meses Durante a teleconferência, Francisco Gomes Neto também anunciou que a empresa está com carteira de pedidos que assegura produção pelos próximos 90 dias na unidade de Ana Rech, a maioria de modelos rodoviários e boa parte para clientes no exterior. Este segmento tende a continuar em alta em razão da vigência, a partir do segundo semestre, de nova lei de acessibilidade, que exige incorporação de elevador para cadeirantes em todos os novos veículos rodoviários. Também contribui para o momento, segundo o CEO, a necessidade de recompor a frota, pois os volumes comercializados nos anos anteriores foram muito baixos. "Estamos animados com a venda de rodoviários, que será superior aos volumes de 2016", observou. Em relação aos urbanos, Gomes Neto indica dificuldades maiores em razão das indefinições nos reajustes das tarifas do transporte coletivo urbano. Lembrou que algumas cidades concederam aumentos, enquanto outras, como o Rio de Janeiro, mercado importante para a companhia, estão postergando a decisão. Também acredita que o Refrota, programa anunciado pelo governo federal para o financiamento de ônibus, pode ajudar. De acordo com José Antonio Valiatti, CFO e diretor de relações com investidores, a Marcopolo adotou política para recuperação dos preços e está conseguindo resultados, mas aquém dos esperados. Segundo ele, as margens seguem apertadas, em especial nos urbanos. Mesmo com aumento de 29,5% na receita líquida, para R$ 554,6 milhões, o lucro líquido cedeu 63,6%, para R$ 3,2 milhões, com margem de 0,6%. No primeiro trimestre de 2016, a margem foi de 2,1%. Mesmo com aumento de produção e vendas no primeiro trimestre sobre igual período do ano passado, a Marcopolo manteve medidas de contenção de custos, que incluiu o afastamento de 300 pessoas, a maioria mão de obra indireta, o que resultou em impacto total de R$ 28 milhões no período. Valiatti explicou que o ajuste foi feito para adequar o quadro ao mercado atual, seguindo estratégia adotada nos últimos três anos. Gomes Neto definiu que, embora os resultados tenham sido melhores, o trimestre foi ainda difícil. Acredita que os dois próximos períodos deverão ter situação mais favorável. (Jornal do Comércio)

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