quarta-feira, maio 24, 2017

Ministério da Saúde anuncia o uso de medicamento preventivo contra o HIV para grupos de risco

Foto: Reprodução
O Ministério da Saúde anunciou, nesta quarta-feira (24), que adotará a profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV para grupos de risco. A estratégia envolve o uso diário do medicamento Truvada (combinação dos antirretrovirais tenofovir e emtricitabina) por pessoas que não têm o vírus. O objetivo é proteger grupos que estão mais expostos ao risco de infecção, como profissionais do sexo, casais sorodiscordantes (quando um tem o vírus e o outro não), transexuais e homens que fazem sexo com homens.
Segundo o ministro Ricardo Barros, a pasta já investiu U$ 1,9 milhão na compra de 2,5 milhões de comprimidos de Truvada, o que deve ser suficiente para atender à demanda durante um ano. Barros destacou que o Brasil será um dos primeiros países a adotar essa estratégia preventiva.
A distribuição do medicamento para esses grupos está prevista para começar seis meses após a publicação do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, o que está previsto para ocorrer na segunda-feira (29), segundo o ministério.
Especialistas alertam que esse tipo de estratégia deve ser aliada a outras medidas preventivas. Quem optar por adotá-la, por exemplo, deve ser aconselhado a continuar usando a camisinha, a fazer testes de HIV periodicamente e a tratar outras DSTs, que costumam deixar o paciente ainda mais vulnerável à infecção por HIV.
Eficácia da estratégia
Desde 2014, a profilaxia pré-exposição é recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para pessoas em risco considerável de se infectarem com HIV e sua eficácia foi comprovada por quatro estudos clínicos. Um deles, o estudo internacional iPrEx (Iniciativa de Profilaxia Pré-exposição), do qual o Brasil também participou, concluiu que o uso diário de antirretroviral por homens saudáveis que fazem sexo com homens conseguiu prevenir novas infecções com eficácia que variou de 43% a 92%, dependendo da adesão ao medicamento.
A adoção da estratégia já vinha sendo estudada pelo Brasil por meio de dois estudos financiados pelo Ministério da Saúde e realizados pela Faculdade de Medicina da USP e pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). (O SUL)

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