quinta-feira, maio 25, 2017

Suíços rejeitam o uso de energia nuclear. A Alemanha se tornaria a primeira potência industrial a abandonar esse tipo de fonte energética

Foto: Arnd Wiegmann
Nas urnas, os suíços aceitam abandonar de forma gradual o uso de energia nuclear e sua substituição por fontes renováveis. O referendo foi realizado neste fim de semana e concluído com 1,3 milhão de votos a favor da transição, contra 940 mil votos a favor da manutenção da energia nuclear.
A política energética já havia sido proposta pelo governo. Mas precisava passar pelo voto popular. Em algumas cidades, como Genebra, 73% dos eleitores apoiaram a transição da energia nuclear para outras fontes.
Pelo plano aprovado, nenhuma nova usina nuclear será autorizada a ser construída. Quanto às cinco usinas existentes no País, a estratégia prevê que elas sejam fechadas quando expirar sua vida útil e o prazo estabelecido de seus respectivos usos com total segurança. Hoje, os cinco reatores correspondem a 30% do fornecimento de energia do país de cerca de 8 milhões de habitantes. O mesmo plano prevê investimentos massivos e subsídios para o setor de energia eólica, biomassa e solar.
O debate começou depois do desastre nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011. Diversos governos europeus também tomaram decisões similares, abrindo o debate sobre o futuro da entidade nuclear.
Outra estratégia é a de redução do consumo de energia per capta no país. Até 2035, a meta é a de redução de 43%. Se o voto foi favorável, o maior partido do país – o UDC – rejeita a estratégia. Foi ele quem pediu a realização do referendo popular, depois que o projeto ganhou o apoio dos demais partidos.
Para o grupo de direita, o plano de abandonar de forma gradual a energia nuclear vai custar US$ 3,2 mil extras para cada residência por ano, em impostos e preço de energia. O governo rejeitou a conta realizada pelo partido, alertando que o aumento do custo de energia será de apenas US$ 40 por ano.
A agremiação diz também que nos próximos 30 anos, o abandono da energia nuclear deverá custar US$ 200 milhões ao país, mais do que o estimado pelo governo suíço.
Numa campanha pouco habitual, os defensores do “não” ao projeto de transição energética alertavam que uma vitória do plano significaria que os suíços passariam a tomar “banhos gelados”. Nos poucos cantões da Suíça que o plano de transição perdeu, um dos argumento usados era de que as instalações de painéis solares e turbinas para energia eólica poderiam “desfigurar” o cenário alpino.
Os conservadores alertam para a necessidade de novos trâmites burocráticos em empresas e residências, com custos e regulamentação maiores.
“Para todos os ecologistas, trata-se de um dia histórico, estejam eles envolvidos com política ou não”, comemorou a deputada do Partido Verde Adele Thorens.
Alemanha
O acidente nuclear de Fukushima, a pressão crescente da opinião pública e a ascensão do Partido Verde nas eleições regionais na Alemanha levaram o governo de Angela Merkel a anunciar em 2011 a extinção progressiva da energia nuclear.
O programa de desativação, que deve durar dez anos e custar 40 bilhões de euros, será encerrado em 2022, com o fechamento dos 17 reatores nucleares em atividade. Com isso, a Alemanha se tornaria a primeira potência industrial a abandonar esse tipo de fonte energética.  (O SUL)

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