quarta-feira, maio 24, 2017

Tedros Adhanom é eleito novo diretor-geral da OMS

Foto: Fabrice Coffrini 
O ex-ministro etíope Tedros Adhanom foi eleito nesta terça-feira novo diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), informaram fontes diplomáticas. Ex-ministro da Saúde em seu país, Adhanom, de 52 anos, conseguiu superar em votos o britânico David Nabarro e o paquistanês Sania Nishtar.Ministro etíope, que concorreu contra o inglês David Nabarro e a paquistanesa Sania Nishtar, teve o apoio do Brasil.
Mas o candidato africano foi duramente criticado por ativistas de direitos humanos e ONGs durante a campanha. Seu país é um dos regimes autoritários do continente africano e Adhanom foi seu chanceler de 2012 a 2016. Antes, foi ministro da Saúde.
A seu favor, está o fato de que, desde 1948, jamais um africano liderou a agência de Saúde da OMS. Ele ainda se apresenta como uma pessoa que transformou a saúde de seu país, enquanto foi ministro dessa pasta entre 2005 e 2012. "Um líder visionário" apontava o site do candidato. Ele insiste que foi durante seu mandato que 3,5 mil centros de saúde foram criados no país, reduzindo a mortalidade infantil em dois terços e uma queda de 90% nas novas infecções de Aids.
Mas entidades como a Human Rights Watch o recriminam por fazer parte do núcleo duro do regime autoritário do país, acusado de violações de direitos humanos e repressão pela própria ONU. Um grupo de 20 entidades escreveu para a OMS pedindo que seu nome não fosse considerado. Sua campanha ainda contou com acusações de que ele tentou abafar três epidemias de cólera, enquanto foi ministro da Saúde.
Documentos obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo ainda revelam que o Fundo Global para Aids, Tuberculose e Malária constatou irregularidade nos recursos que enviou para seu ministério e ordenou que US$ 7 milhões fossem devolvidos. Um hospital que seria construído com o dinheiro da entidade internacional ainda registrou um salto nos custos de 54%.
Na segunda-feira, durante a Assembleia Mundial da Saúde, um manifestante gritou palavras de ordem contra o etíope e chamou os países que o apoiam de "vergonhosos". Ele foi retirado do encontro com mais de duas mil pessoas pelos seguranças, que não permitiram que a imprensa tivesse acesso a ele.
À reportagem, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, explicou que a opção do Brasil pelo africano é baseada em sua visão para a OMS. "Ele é uma pessoa que nos interessa, por nossa relação com a África", disse. A reportagem apurou que o governo espera que o etíope abra vagas na direção da entidade para brasileiros.
"Eu conversei com todos os candidatos. Eu achei que ele era a pessoa que estava mais alinhada com a visão que temos de como a OMS deve atuar", disse o ministro. Um dos pontos que interessou ao Brasil ainda era sua intenção de descentralizar o poder da agência, permitindo que iniciativas regionais, como a OPAS possa assumir parte do trabalho. "Ele vai nos ajudar a ouvir os órgãos regionais e tomar a decisão com quem está no chão", disse Barros.
Outro ponto que interessa ao Brasil é o de manter a influência na África e, para isso, precisa também mostrar solidariedade com candidatos para postos internacionais. Na segunda-feira, os países lusófonos ainda assinaram uma carta conjunta solicitando que o novo diretor, seja quem for, considere a possibilidade de incluir o português como língua de trabalho na OMS. (Correio do Povo)

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