• Depois de quase três anos, PIB do Rio Grande do Sul para de cair

    Foto: Tiago Queiroz
    No primeiro trimestre deste ano, na comparação com igual trimestre de 2016, o PIB (Produto Interno Bruto) do Rio Grande do Sul apresentou variação nula. O resultado interrompeu uma série de 11 trimestres consecutivos de queda e foi superior à variação negativa observada no País (-0,4%) para o mesmo período. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (13) pela FEE (Fundação de Economia e Estatística).
    Em sua composição, o VAB (Valor Adicionado Bruto) cresceu 0,2%, e os impostos líquidos caíram 1,7%. Já o VAB do Brasil teve uma variação negativa de 0,3%, e os impostos líquidos caíram 0,8%. Em virtude de um recuo mais acentuado das atividades com maior incidência tributária (energia, refino e informação), a queda do volume arrecadado em impostos sobre produtos no Rio Grande do Sul foi maior do que a observada no conjunto do País.
    Entre as grandes atividades, a agropecuária gaúcha foi a única que apresentou variação positiva no primeiro trimestre (3,5%), mas menor do que a observada no País (15,2%). A indústria no Rio Grande do Sul teve queda de 1%, enquanto, no Brasil, a baixa foi de 1,1%. Da mesma forma, os serviços no Estado apresentaram variação negativa menor do que a queda observada na economia brasileira (-0,1% ante -1,7%).
    Depois de quatro reduções consecutivas das taxas trimestrais negativas em 2016, a variação nula do PIB no primeiro trimestre de 2017 seguiu a tendência de taxas trimestrais cada vez menores que vem ocorrendo depois da fase mais aguda de queda da atividade econômica em 2015. As taxas acumuladas ao longo do ano sobre o mesmo período do ano anterior, que ocorreram nos quatro trimestres de 2016, retrataram a mesma situação.
    Trimestre sobre o trimestre imediatamente anterior
    No primeiro trimestre de 2017, a taxa de crescimento contra o trimestre imediatamente anterior (com ajuste sazonal) do PIB do Rio Grande do Sul teve variação positiva de 0,6%. Esse desempenho foi inferior ao observado no Brasil, cujo crescimento foi de 1%. As três principais atividades apresentaram taxas positivas nesse tipo de comparação.
    A agropecuária cresceu 4,7%, a indústria 1%, e os serviços 0,7%. Nessa comparação, apenas a agropecuária apresentou crescimento, em relação ao trimestre anterior, inferior ao nacional (4,7% e 13,4% respectivamente), o que decorreu do fato de a colheita de lavouras de maior rendimento se concentrar no primeiro trimestre no restante do País.
    Destaques setoriais
    No primeiro trimestre, o desempenho da agropecuária foi influenciado pela recuperação na safra de arroz. Houve um aumento de 14% na produção de arroz, devido ao crescimento da produtividade de 9,8% em relação a 2017, ano em que a safra havia sido prejudicada pelo excesso de chuva.  A soja, apesar de ter impacto maior no segundo trimestre, também contribuiu positivamente para a agricultura do Estado, tendo um crescimento de 6,5% na produção.
    Outro produto importante no trimestre foi o milho, que também foi influenciado por condições climáticas favoráveis, elevando a sua produção em 9,8%, em relação a 2017. A safra de uva no ano de 2017 deve ter produção recorde, logo após ter sofrido fortes perdas em 2016. O mesmo acontece com a maçã, que está tendo uma ótima produção em 2017, depois de ter sido prejudicada pelo clima em 2016. Apesar do bom desempenho do setor agropecuário no Estado, ele foi inferior ao crescimento registrado no Brasil, principalmente por conta do aumento nas safras de milho e soja, que foram maiores no Brasil do que no RS.
    A indústria apresentou queda de 1%, decorrente da variação negativa de três de seus quatro segmentos no trimestre. Apenas a indústria de transformação apresentou comportamento positivo no primeiro trimestre, de 0,7%. Os demais segmentos da indústria exibiram taxas negativas no trimestre, tendo a extrativa apresentado uma queda de 7,6%; eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana, redução de 7,3%; e a construção, diminuição de 4,9%.
    Os serviços apresentaram variação negativa de 0,1%, com duas atividades apresentando taxas positivas: transporte (3,4%) e atividades imobiliárias (1,2%). O desempenho significativo dos transportes parece estar associado ao crescimento do segmento metalmecânico. Outros serviços e administração púbica apresentaram variação nula, enquanto a intermediação financeira, os serviços de informação e o comércio apresentaram redução de -2,5%, -1,2% e -1% respectivamente.
    Apenas os serviços de informação caíram mais que no Brasil (-0,3%). A queda menor no segmento de serviços do Rio Grande do Sul do que no do País pode estar relacionada com a queda menor no nível ocupacional e nos rendimentos reais da economia gaúcha. (O SUL)
  • You might also like

    Nenhum comentário:

    Postar um comentário