sexta-feira, junho 30, 2017

Parlamento aprova o casamento gay na Alemanha

Foto: Reuters
O Parlamento alemão aprovou nesta sexta-feira (30) a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, depois de uma importante inflexão da chanceler, Angela Merkel. Foram 393 votos a favor e 226 contra.
A velocidade do processo, proposto e votado em poucos dias, surpreendeu o país. A união homossexual era um dos temas às eleições de 24 de setembro, unindo os partidos de oposição. Essa questão foi resolvida antes do pleito, no que pode ter sido uma hábil manobra política.
Merkel, que lidera a Alemanha desde 2005, se opôs durante todos esses anos ao casamento gay, criticando o direito à adoção, que para a chanceler poderia ameaçar o “bem-estar das crianças”.
Mas ela deu sinais de ter afrouxado sua posição durante um evento na segunda-feira (26) em Berlim organizado pela revista feminina “Brigitte”. A chanceler disse ter conhecido um casal de mulheres homossexuais que cuidava de oito crianças.
Merkel propôs, então, que o voto no casamento gay fosse uma questão de “consciência”, liberando assim os membros de seu partido conservador CDU (União Democrata-Cristã) para tomar sua própria decisão caso houvesse uma eventual consulta.
Um dia depois, seu rival Martin Schulz, do SPD (Partido Social-Democrata), aproveitou a declaração e defendeu que parlamentares votassem a questão antes das eleições, e o Parlamento se mobilizou. O voto foi feito horas antes do início do recesso legislativo de verão.
Merkel, que votou contra, disse que a pressa na consulta foi uma emboscada política, além de “triste” e “desnecessária”. Havia um acordo entre o CDU e o SPD para que esse tema não fosse votado durante a sua coalizão.
Ao votar “não”, a chanceler disse que o casamento é apenas entre um homem e uma mulher. Mas Merkel afirmou também: “Espero que o voto de hoje mostre não apenas o respeito mútuo por diferentes opiniões, mas também que isso leva a mais paz e a mais coesão social”.
Apesar de a aprovação do casamento gay ter enfurecido parte de seu partido conservador, Merkel se beneficia em não ter que debater esse assunto durante a campanha eleitoral destes meses.
Diversos partidos, como os Verdes, a Esquerda e os Democratas Livres, condicionavam sua participação futura em uma coalizão com Merkel ao “Ehe für alle”, o casamento a todos. Eles perderam essa alavanca eleitoral. A decisão do Parlamento deve ser chancelada pelo Bundesrat, a câmara alta, e ser assinada pelo presidente Frank-Walter Steinmeier durante as próximas semanas.
Com a decisão dos legisladores, casais homossexuais poderão, a partir da nova lei, casar e adotar crianças, igualando seus direitos àqueles já gozados em outros países europeus, como a Espanha. O texto entra em vigor até o fim deste ano. A união civil já era legal desde 2001.
Uma pesquisa recente da entidade YouGov demonstra que dois terços dos alemães apoiam a legalização do casamento homossexual. (O SUL)

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