quarta-feira, junho 28, 2017

Polícia Federal prende quadrilha que movimentou R$ 500 milhões com o contrabando de cigarros no País

Foto: Divulgação
A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quarta-feira (28), 15 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão contra uma das maiores organizações criminosas que atuava no contrabando de cigarros no Brasil. A Operação Revanche colocou nas ruas 120 agentes nos Estados de São Paulo e Paraná.
As investigações iniciaram em 2014 e apontam que os suspeitos distribuíam cerca de 800 mil maços de cigarros de marcas paraguaias por dia, contrariando a lei de importação. Segundo a PF, a quadrilha movimentava R$ 1 milhão por dia. No esquema, o grupo mantinha uma estrutura empresarial voltada à compra, venda, guarda e distribuição de cigarros. Os criminosos também corrompiam servidores públicos encarregados da repreensão do crime.
A PF estima que a organização criminosa movimentou cerca de R$ 500 milhões por meio de laranjas e empresas de fachada. Os bens de todos os suspeitos foram bloqueados pela 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Os investigados vão responder na Justiça pelos crimes de contrabando, corrupção passiva e organização criminosa. Somadas, as penas variam entre um e oito anos de prisão.
Contrabando
Levantamento do setor fumageiro revela que 4,6 bilhões de cigarros foram vendidos sem pagar impostos no ano passado por empresas brasileiras que atuam ilegalmente no País.
Documentos em mãos da indústria de tabaco comprovam que a cada dez maços de cigarros vendidos no Brasil, 4,5 são contrabandeados do Paraguai. Curiosamente, o maior fabricante de cigarros no país vizinho é uma indústria controlada pela família do presidente Horácio Cartes.
Doenças
Estudo divulgado pelo Ministério da Saúde aponta que o Brasil tem um prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões por conta de doenças associadas ao consumo de cigarros e outros derivados. Desse valor, R$ 39,4 bilhões são com custos médicos diretos e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos, decorrentes da perda de produtividade, provocadas por morte prematura ou por incapacitação de trabalhadores.
A pesquisa, denominada “O Tabagismo no Brasil: morte, doença e política de preços e impostos” mostrou que as enfermidades relacionadas ao tabaco que mais causaram despesas para o País em 2015 – nos sistemas de saúde público e privado – foram a doença pulmonar obstrutiva crônica [como enfisema e asma], doenças cardíacas, tabagismo passivo, cânceres diversos e pneumonia. No mesmo ano, o tabagismo causou 156.216 mortes no Brasil — número que representa mais de 12% do total de óbitos de pessoas com mais de 35 anos.
No que diz respeito à economia, o País arrecadou R$ 12,9 bilhões em impostos com a venda de cigarros em 2015. O saldo negativo do tabagismo, desta forma, foi de R$ 44 bilhões – quando se subtrai os gastos da saúde em relação aos valores arrecadados. (O SUL)
 

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