• Arrecadação federal chega a quase R$ 650 bilhões no primeiro semestre, o melhor resultado em dois anos

    A arrecadação federal totalizou R$ 648,58 bilhões no primeiro semestre deste ano, informou nesta quarta-feira (19) a Receita Federal. O valor se refere aos ganhos com impostos, contribuições federais e outras receitas, como royalties pagos ao governo por empresas que exploram petróleo no País.
    O resultado representa um aumento real (descontada a inflação) de 0,77% na comparação com o mesmo período de 2016. Esse foi o melhor desempenho para os primeiros seis meses de um ano desde 2015. A receita com os royalties do petróleo avançou 53,3% em termos reais nos seis primeiros meses deste ano e foi a principal responsável pelo crescimento de toda a arrecadação federal na primeira metade de 2017.
    O aumento da arrecadação com royalties tem sido impulsionado pela alta no preço do petróleo no mercado internacional. Entretanto, a arrecadação de impostos e contribuições ainda sofre os reflexos da crise econômica que atinge o País e registrou queda real de 0,20%, segundo números oficiais.
    Mês de junho
    Somente em junho, os dados da Receita Federal também mostram crescimento da arrecadação. Nesse caso, o aumento real (após o abatimento da inflação) foi de 3% na comparação com o mesmo mês do ano passado, para R$ 104,1 bilhões. Esse foi o melhor resultado para junho desde 2015.
    Nessa comparação, o aumento foi motivado pelas receitas de impostos e contribuições federais, que avançaram 3,17% contra o mesmo mês de 2016, enquanto a arrecadação com royalties do petróleo recuou 6,09%.
    De acordo com o Fisco, em junho deste ano avançou a arrecadação de vários setores, como o comércio atacadista (22%), a fabricação de veículos (19,3%), de equipamentos de informática (17,9%), de produtos alimentícios (8,2%) e de produtos têxteis (17,99%), entre outros. A comparação foi feita com junho do ano passado.
    Por tributos, subiu a receita previdenciária (1,24%), a arrecadação do Imposto de Importação (4,9%), do Imposto Sobre Produtos Industrializados (14,81%), do Imposto de Renda (3,74%) e da Cofins (3,12%), mas recuou a receita da Cide dos combustíveis (-5,5%).
    Meta fiscal
    O comportamento da arrecadação é importante para o governo tentar atingir a meta fiscal. Para todo ano de 2017, o objetivo foi fixado em um déficit primário (despesas maiores do que receitas, sem contar os juros da dívida pública) de até R$ 139 bilhões.
    Inicialmente, o governo anunciou um bloqueio de R$ 42,1 bilhões em gastos na peça orçamentária deste ano e um aumento da tributação sobre a folha de pagamentos, com arrecadação extra prevista de R$ 4,8 bilhões em 2016 e de R$ 1,2 bilhão com a instituição do IOF para cooperativas, para tentar atingir a meta fiscal deste ano. Recentemente, liberou R$ 3,1 bilhões em gastos.
    No ano passado, o rombo fiscal somou R$ 154,2 bilhões, o maior em 20 anos. Em 2015, o déficit fiscal totalizou R$ 115 bilhões. A consequência de as contas públicas registrarem déficits fiscais seguidos é a piora da dívida pública e mais pressões inflacionárias. (AG) 
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