• Bigode de Dalí está intacto 28 anos após a morte do pintor

    Foto Reprodução
    Os restos mortais do pintor surrealista Salvador Dalí, que haviam sido embalsamados, estão bem conservados, afirmaram nesta sexta-feira (21) especialistas que participaram da exumação em Figueres, na Espanha.
    Segundo eles, o famoso bigode do artista estava intacto, mesmo 28 anos depois da morte. “O bigode estava na posição clássica, marcando dez horas e dez minutos”, disse o secretário-geral da Fundação Gala-Dalí, Luis Peñuelas Reixach, durante entrevista no Teatro-Museo Dalí, em Figueres, Girona.
    Os restos mortais foram exumados por ordem de um tribunal para um exame de determinação de paternidade. A exumação ocorreu na noite desta quinta-feira (20). Foram extraídas amostras de cabelo, unhas, dentes e ossos.
    O jornal El País afirmou que os resultados dos exames de DNA deverão ser anunciados no início de setembro, pouco antes da audiência em tribunal sobre a questão da paternidade, marcada para 18 de setembro.
    O corpo do pintor, falecido em 23 de janeiro de 1989, aos 84 anos, está sepultado no Teatro-Museo Dalí, em Figueres, na região de Girona, e foi exumado por decisão do Tribunal Superior de Justiça da Catalunha.
    A decisão foi anunciada em 20 de junho, para obtenção de amostras do corpo do artista, no sentido de realizar um exame de determinação da paternidade de Pilar Abel, que alega ser sua filha. Abel submeteu-se ao exame de DNA em 11 de julho, em Madri.
    Segundo a Fundação Gala-Dalí, se os exames de DNA confirmarem a paternidade, Abel poderá reclamar 25% do patrimônio detido pelo artista no momento da morte. O prejudicado seria o Estado espanhol, herdeiro universal designado por Dalí.
    Abel, nascida em Figueres em 1956, alega ser fruto de uma relação de Dalí com a mãe dela, que ele teria conhecido em Cadaqués, Girona, quando esta trabalhava como empregada de uma família que passava temporadas naquele povoado. Se a paternidade for confirmada, ela será a única filha conhecida do artista catalão.
    Há dez anos que Abel procura provar o parentesco, dizendo que as parecenças físicas tão óbvias que “só me faltava o bigode”.
    Serra elétrica
    Os investigadores que exumaram o corpo de Salvador Dali, a fim de provar ou não o parentesco com Maria Abel Pilar, revelaram que para cortar o corpo do artista, tiveram de usar uma serra elétrica.
    Narcís Bardalet, que embalsamou o corpo de Dali depois da morte do artista, em 1989, ajudou na exumação, e ficou maravilhado por ver o famoso surrealista mais uma vez. “O bigode continua intacto, com o efeito que ele sempre usou e gostava (…) é um milagre”, afirmou Narcís à rádio catalã RAC1.
    Dali foi enterrado numa construção subterrânea, por baixo do museu que o próprio desenhou para si mesmo, na cidade de Figueres, na Catalunha. O corpo foi desenterrado para descobrir se a mulher de 61 anos, a cartomante Maria Pilar Abel é, ou não, legítima herdeira do artista. Bardalet, à estação de rádio, descreve o momento em que viu o corpo de Dalí, dizendo que “a cara estava coberta por um lenço”. “Para além do bigode, tinha também algum cabelo”, acrescenta.
    Ele contou ainda que o corpo de Dali se assemelhava a “uma múmia e estava rijo como madeira”, acrescentando que foi tão difícil que os especialistas tiveram de usar uma serra elétrica, em vez de um bisturi, para coletar as amostras de osso.
    Bardalet prevê ainda que “o bigode ficará intacto durante centenas de anos”. Assim que os últimos visitantes do museu saíram, a laje de pedra de 1,5 toneladas onde repousa a sepultura do surrealista foi levantada, para que os especialistas começassem a retirar o cabelo, as unhas, e dois ossos grandes. A fim de proteger a privacidade do artista, foram proibidas gravações da exumação, pelos drones que sobrevoavam a cripta.
    Os resultados da paternidade saem a 18 de Setembro. (O SUL)
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