segunda-feira, julho 31, 2017

O aumento do desemprego levou mais de 143 mil famílias a retornar ao Bolsa Família neste ano: 525 mil estão na fila

Foto: Agência Brasil
Mais de 143 mil famílias retornaram ao Bolsa Família neste ano devido ao aumento da taxa de desemprego provocado pela forte crise econômica que se instalou no País. A fila de espera também cresceu. Ela chegou a estar zerada nos meses de janeiro e fevereiro, mas aumentou gradualmente e atingiu 525 mil famílias. O ministro do MDS (Ministério do Desenvolvimento Social), Osmar Terra, informou que pretende acabar com a espera ainda em agosto. Mesmo com a restrição orçamentária do governo federal, o ministério teria orçamento suficiente para atender esse público.
Em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, o secretário-executivo do ministério, Alberto Beltrame, explicou que a piora da economia fez com que muitas famílias retornassem ao bolsa. Recentemente, os indicadores do mercado de trabalho vêm dando sinais de melhora, mas ainda não estão sendo captados. Dado divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra que, no segundo trimestre, a taxa de desemprego atingiu 13%.
O nível de desocupação foi menor do que aquele registrado no primeiro trimestre, de 13,7%, mas ficou 1,7 ponto percentual acima da taxa apurada entre abril e junho de 2016 (11,3%). Mesmo com a procura elevada, a quantidade de benefícios do bolsa caiu. Em julho, 12,7 milhões de famílias foram atendidas. No fim de 2016, esse número era de 13,57 milhões. A diminuição, conforme Beltrame, está diretamente relacionada à maior fiscalização e cruzamento de dados dos beneficiários. Segundo ele, ao contrário do que estão dizendo alguns críticos, o governo “não arrochou o bolsa” em um momento em que os brasileiros pobres mais precisam devido ao aumento do desemprego.
Beltrame explicou que a queda na quantidade de atendidos se deve à mudança na metodologia do pente-fino, que agora faz o cruzamento de vários bancos de dados e passou a ser anual (antes era mensal). Isso permitiu que o atendimento das pessoas que realmente precisam, ao contrário do que acontecia no governo passado. Lembrou ainda que o cruzamento de dados comprovou, na prática, que existiam muitas famílias que sub declaravam a renda e, portanto, recebiam o benefício indevidamente.
Reajuste
O governo de Michel Temer decidiu suspender o reajuste que pretendia anunciar para o programa Bolsa Família. Segundo fontes do Palácio do Planalto, o presidente queria conceder um aumento de 4,6% no benefício, em uma iniciativa para reforçar a estratégia destinada a ganhar popularidade em meio à crise política nacional, da qual o chefe do Executivo é um dos protagonistas.
A equipe econômica, no entanto, teria avaliado que em meio à outra crise – a financeira – não há espaço para esse tipo de “bondade” no orçamento federal.
O assunto foi incluído na pauta de uma reunião de Temer com o ministro Osmar Terra, que comanda a pasta responsável pelo programa. No encontro, ficou definido que não seria possível anunciar o reajuste neste momento, como planejado anteriormente. O impacto do reajuste nas contas públicas deste ano seriam de 800 milhões de reais.
De acordo com assessores do presidente, a decisão sobre o aumento do benefício foi adiada, sem data para que a discussão seja retomada. O Ministério já comunicou à Caixa Econômico Federal que não haverá mudança no valor dos pagamentos. (O SUL)

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