quinta-feira, julho 27, 2017

O número de inscritos para comprar maconha no Uruguai cresce quase 50% em uma semana

Foto: Reprodução
O número de inscritos para comprar maconha produzida sob controle estatal nas farmácias do Uruguai aumentou quase 50% em uma semana, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (26) pelo IRCCA (Instituto de Regulação e Controle da Cannabis). O total de “adquirentes”, como são denominadas as pessoas inscritas no registro oficial, que permite o acesso a 40 gramas da erva por mês com fins recreativos, subiu para 7.343, em comparação com os 4.959 registrados na última quarta-feira, quando começou a comercialização do produto.
As 16 farmácias que se interessaram e se registraram para vender cannabis produzida por empresas privadas sob controle do Estado tiveram que repor o estoque de maconha estatal várias vezes desde 19 de julho. Desde essa data, o número de inscritos autorizados a comprar até 40 gramas da erva por mês aumentou 48%.
O Uruguai começou há uma semana a vender em farmácias a maconha produzida por privados em prédios sob vigilância do Estado, que também monitora a qualidade do produto. O país regulou por lei em 2013 o acesso à cannabis com fins recreativos, e a venda em farmácias é a última etapa neste processo. A norma habilita três mecanismos para acessar a cannabis: o cultivo doméstico, o cultivo cooperativo em clubes e a compra em farmácias. A droga é vendida em embalagens de cinco gramas e em duas variedades. O preço é de US$ 1,30 o grama no câmbio atual.
Qualidade
“Parece ser uma maconha de boa qualidade, mas não com um alto nível de efeito psicoativo. No Uruguai se produz cannabis com até 20% de THC, o que é muito alto”, apontou o jornalista Tomer Urwicz, do “El País”, que diz que hoje o país vive uma mistura de sentimentos: “Vi muitas pessoas alegres, cantando nas filas, e até uma mulher chorando de emoção. Mas é verdade que socialmente a situação não foi bem aceita”.
Na opinião do jornalista Guillermo Garat, autor do livro “Maconha e outras ervas”, o início da comercialização no Uruguai “foi um dia histórico, porque há 88 anos não se vendia maconha nas farmácias uruguaias”. Garat lembrou que a venda era livre até 1929, ano em que seu país ratificou a Convenção de Haia sobre o assunto.
“Para mim, são produtos de boa qualidade, bem cultivados (duas empresas venceram a licitação do governo). Mas pode ser que você não tenha aquela super viagem de outras maconhas. A maconha que se distribui nos clubes é mais forte”, argumentou Garat. Ele acredita que outras 20 farmácias se unirão à iniciativa nos próximos meses.
“Nesta história foi fundamental a vontade política de Mujica e de seu movimento social. Mas também o apoio de todos os partidos políticos, sem o qual não teríamos chegado até aqui”, ressaltou.
Quando lançou sua proposta, o ex-presidente, hoje o senador mais importante do Parlamento uruguaio, assegurou que seu principal objetivo era combater o narcotráfico. Para Garat, a meta será alcançada. “No ano passado a polícia apreendeu quatro toneladas de cannabis paraguaio. Hoje, a produção dos autocultivadores, clubes e das empresas que fornecem às farmácias já supera esse volume”, destacou o jornalista. (O SUL)

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