sexta-feira, julho 28, 2017

O Uruguai não quer ser visto como destino do turismo da maconha

Foto: Reprodução
O Uruguai não quer ser visto como um destino do “turismo da maconha”, mas sim como um país singular por seus recursos naturais, culturais e de lazer, adotando um método inovador de lutar contra o narcotráfico, afirmou nesta quarta-feira a ministra do Turismo, Liliam Kechichián.
Em entrevista à Agência Efe, a ministra disse que a liberação do uso de maconha recreativa no país é uma ferramenta para lutar contra o tráfico de drogas e não prevê a possibilidade de autorizar a compra da substância por turistas que visitem o país.
“Nós delineamos isso como uma política interna de luta contra a droga para nossa sociedade. O turista que chega ao Uruguai tem que saber que não vai poder comprar maconha nas farmácias”, explicou.
“Quando se discutiu o projeto de lei que autorizou a regulação da cannabis no Uruguai ficou muito claro que não queríamos um turismo da maconha, mas sim a implementação de um sistema baseado no papel do Estado como o grande regulador de políticas até agora não vistas para combater e acabar com o narcotráfico”, completou.
Kechichián explicou que a regulamentação do mercado de maconha é visto pelo Ministério do Turismo de uma forma diferente, destacando o fato de que o Uruguai se posiciona como “inovador” sobre esse assunto por ter sido o primeiro país da região a aprovar uma iniciativa desse tipo.
A ministra disse que a compra e venda de maconha controlada pelo governo tem um impacto positivo que se soma a outros aspectos de vanguarda do Uruguai, o primeiro país a permitir o voto feminino e o divórcio na América Latina, o que mostra que há uma história busca pela garantia de direitos no Uruguai.
“Temos uma agenda de direitos que é inovadora, como, por exemplo, no casamento de pessoas do mesmo sexo, já que na América Latina somos um dos poucos países que o permitem. Nos temas ao coletivo LGBT, somos o país mais amigável da região. Isso é inovação pura”, afirmou a ministra.
O Uruguai se tornou na última quarta-feira no primeiro país do mundo a controlar, do início ao fim, a produção, compra e venda de maconha de uso recreativo, que é distribuída em farmácias.
Os usuários precisam de um cadastro para comprar a substância, que é vendida, por enquanto, em apenas 16 farmácias situadas em 11 dos 19 departamentos do país. As quantidades que podem ser compradas também são controladas pelo governo.
Inscritos
O número de inscritos para comprar maconha legal no Uruguai aumentou 48% em uma semana. O total de pessoas inscritas no registro oficial, que permite o acesso a 40 gramas da erva por mês para fins recreativos, subiu de 4.959 para 7.343 desde que a maconha começou a ser vendida nas farmácias do país, na semana passada. (O SUL)

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