• Temer elogia a “eficiência” do governo antes de anunciar aumento de impostos sobre os combustíveis

    No dia em que a área econômica anunciaria um aumento de tributos  sobre os combustíveis para tentar equilibrar as contas federais, o presidente Michel Temer elogiou nesta quinta-feira (20), durante um evento no Palácio do Planalto, a situação financeira da União e o que ele classificou de “eficiência” do governo. Segundo Temer, a administração pública federal está “tratando com seriedade o dinheiro do pagador de impostos”.
    Nesta quinta-feira, o governo anunciaria um reajuste na contribuição do PIS/Cofins que incide sobre os combustíveis para tentar cumprir a meta fiscal que já previa para este ano déficit (despesas maiores que receitas) de R$ 139 bilhões. No entanto, há poucos minutos do horário esperado para o anúncio, o governo decidiu adiar a entrevista coletiva em Brasília, a princípio para esta sexta-feira (21).
    Segundo fontes da equipe econômica, ainda não houve acordo sobre a extensão do aumento das alíquotas. O Executivo está com dificuldade de fechar as contas em 2017. O mercado financeiro já prevê um rombo de R$ 145 bilhões neste ano, acima da meta de déficit de R$ 139 bilhões. O governo anunciou um corte de R$ 42 bilhões no Orçamento da União, mas o enxugamento afetou serviços públicos como a emissão de passaportes.
    Ignorando as dificuldades financeiras de seu governo ao discursar nesta quinta em uma solenidade no Planalto, Temer enalteceu os recentes anúncios do Executivo federal de investimentos na área da saúde. Na cerimônia, o presidente e o ministro da Saúde, Ricardo Barros, anunciaram R$ 344,3 milhões para programas do SUS (Sistema Único de Saúde) voltados à área de saúde bucal. Na semana passada, o governo havia anunciado R$ 1,7 bilhão para ampliar investimentos no Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), atenção básica de saúde e transporte sanitário.
    O presidente disse que o dinheiro liberado pelo Ministério da Saúde foi economizado por meio de ações de gestão do titular da pasta. “Se hoje nós podemos revalorizar a odontologia no SUS é porque trabalhamos muito”, enfatizou. Temer destacou ainda que, na visão dele, a equipe econômica do governo está fazendo um trabalho “extraordinário”. “Eficiência no governo, transparência, a situação das contas públicas. Estamos tratando com seriedade o dinheiro do pagador de impostos”, ressaltou o presidente da República no discurso desta quinta.
    “Reoneração” da folha
    Em março, o governo já havia aumentado impostos, quando anunciou o fim da desoneração sobre a folha de pagamento em 50 setores da economia. Esse benefício excluía as empresas destes setores de precisar pagar imposto sobre a folha de pagamentos com base em um percentual da receita bruta. Ou seja, uma tributação menor. A “reoneração” passou a valer em julho.
    A desoneração da folha de pagamentos começou em agosto de 2011, em um “pacote de bondades” lançado pela então presidente Dilma Rousseff. O objetivo era estimular a geração de empregos no País e melhorar a competitividade das empresas brasileiras. Entre 2012 e 2016, a renúncia fiscal com a desoneração foi de R$ 77,9 bilhões. (AG)
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