terça-feira, agosto 29, 2017

Após repercussão negativa, o governo federal revoga o decreto que acaba com reserva na Amazônia

Foto: Reprodução
Após a repercussão negativa do fim de uma reserva mineral na Amazônia, o governo federal decidiu revogar o decreto que acaba com a Renca (Reserva Nacional de Cobre e Associados). O Palácio do Planalto vai publicar, no entanto, um novo decreto que mantém a área aberta à mineração, mas detalha “ponto a ponto” de como será a preservação ambiental na região. O novo texto diz, por exemplo, que não poderá haver mineração em unidades de conservação ambiental e indígena.
O anúncio é feito no Palácio do Planalto. O novo texto é uma tentativa de minimizar as críticas com o fim da Reserva Nacional de Cobre e Associados, entre o Pará e o Amapá. A área de 47 mil quilômetros quadrados, do tamanho do Espirito Santo, foi aberta para a mineração depois de um decreto publicado pelo presidente Michel Temer na semana passada. A região abriga nove unidades de conservação ambiental e indígena e a liberação para a mineração na área gerou protestos de artistas e ambientalistas.
A reserva, com área maior que a Dinamarca ou do tamanho do estado do Espírito Santo, foi criada em 1984, ainda durante a ditadura militar. A área é rica sobretudo em ouro, mas também em tântalo, minério de ferro, níquel, manganês e outros minerais. No meio dessa região, estão nove áreas de conservação ambiental e reservas indígenas. O governo diz que só haverá mineração fora das unidades. O temor dos ambientalistas é que a exploração de minério em regiões próximas às terras indígenas e às áreas de proteção integral e uso sustentável dentro da Renca provoque degradação na floresta e nos cursos d’água.
Marina Silva
A ex-senadora Marina Silva criticou, em vídeo postado em suas redes sociais, o decreto do presidente Michel Temer que extinguia uma  área de conservação na Amazônia. No vídeo, Marina chama as ações do governo de “negociatas” e afirma que o país está entregando terras da Amazônia para a grilagem.
O presidente Temer, vergonhosamente, com uma canetada, extingue a Reserva Nacional do Cobre”, afirmou a candidata derrotada à Presidência da República em 2014.
Marina considerou que o decreto é parte de negociações do governo com o Congresso em busca de apoio. Marina lembrou a votação na Câmara dos Deputados que barrou a denúncia por corrupção contra Temer. Para a ex-senadora, o governo se envolve em “negociatas” com a base no Congresso em troca de apoio.
“Antes, se fazia decreto para criar unidade de conservação, terra indígena, para proteger recursos naturais”, disse Marina. “Agora estão fazendo decreto para acabar com o que foi feito em governos anteriores”, acrescentou.(O SUL)

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