quarta-feira, agosto 09, 2017

O governo da Venezuela prendeu um general

Foto: Reprodução
Membros da Direção de Contrainteligência Militar da Venezuela levaram, na madrugada desta terça-feira (8), o general dissidente Raúl Baduel da prisão de Ramo Verde, afirmou o jornal venezuelano El Nacional. Familiares e advogados de Baduel dizem não saber o seu paradeiro.
Antes de virar dissidente, Raúl Baduel foi um dos mais próximos colaboradores de Hugo Chávez, que governou a Venezuela de 1999 a 2013, tendo sido seu ministro da Defesa. A ruptura se deu em 2007, quando Baduel entregou o cargo de ministro por discordar de um projeto de reforma constitucional que pretendia aumentar os poderes presidenciais e decretar a Venezuela como Estado socialista.
Omar Mora Tosta, advogado de Baduel, qualificou o translado de sequestro. Segundo ele, o general foi levado à força e encapuzado.
“Responsabilizamos o regime e seus asseclas por tudo o que aconteça a meu pai”, escreveu no Twiiter Adolfo Baduel, filho do militar.
Baduel foi preso em 2009, sob a acusação de ter desviado milhões de dólares do orçamento militar. No ano seguinte, a Justiça o condenou a oito anos de prisão.
Deixou a prisão de Ramo Verde, no Estado de Miranda, em agosto de 2015, em liberdade condicional, mas em janeiro deste ano foi novamente encarcerado por supostamente ter deixado de cumprir as condições da condicional.
Opositores
Há uma semana, o Sebin (Serviço Bolivariano de Inteligência) da Venezuela voltou a deter os políticos opositores Leopoldo López e Antonio Ledezma, que estavam em regime de prisão domiciliar. A Suprema Corte venezuelana afirmou que eles planejavam fugir.
Os dois líderes opositores fizeram apelos para que as pessoas não votassem no domingo (30) na polêmica eleição Assembleia Constituinte, convocada por Nicolás Maduro, mas rejeitada pela oposição e por vários países.
Antes da declaração da Suprema Corte, o presidente da Comissão Presidencial para a Assembleia Nacional Constituinte, Elías Jaua, afirmou que as prisões ocorreram porque eles violaram regras da prisão domiciliar, segundo a CNN, citando uma entrevista dada à VTV.
Ele afirmou que Antonio Ledezma e Leopoldo López, como estavam em prisão domiciliar, tinham “uma limitação, uma restrição de declaração política e de emissão de mensagens. Sobretudo se essas mensagens evocam o desconhecimento das instituições, o desconhecimento dos resultados [da assembleia constituinte]”, declarou.
Na última sexta-feira (4), Ledezma retornou ao regime de prisão domiciliar, de acordo com sua mulher.
Em mensagem publicada, a mulher Mitzy Capriles afirmou: “Informo ao país que há poucos minutos surpreendentemente o Sebin trouxe Antonio para nossa residência. Voltou para prisão domiciliar”, diz a mensagem.
No dia seguinte, foi a vez de López. “Acabam de levar Leopoldo para casa. Seguimos com mais certeza e firmeza para se conseguir a paz e a liberdade da Venezuela!”, escreveu Lilian Tintori, esposa do fundador do partido político Vontade Popular na rede social Twitter.  (O SUL)

Tags

0 comentários: