quinta-feira, agosto 03, 2017

O Mercosul pode suspender em definitivo a Venezuela a partir do próximo sábado

Foto: Reprodução
Os chanceleres dos países fundadores do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) farão uma reunião de emergência neste sábado em Buenos Aires para discutir a sua reação ao agravamento da crise política na Venezuela. O tema central deverá ser a manutenção da suspensão do país do bloco econômico, imposta desde dezembro. Não está descartada a hipótese de que a pauta do encontro inclua uma medida ainda mais drástica: a expulsão do país governado por Nicolás Maduro.
“Vamos analisar os últimos lances do governo bolivariano rumo à ditadura”, declarou o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes. Questionado se o País defenderia a suspensão venezuelana, o chanceler afirmou que não viajará para a capital argentina com uma “posição fechada” antes de ouvir opiniões dos demais representantes.
Nunes admitiu, no entanto, que o tema poderá ser tratado. “Eu estou convencido de que a ruptura da ordem constitucional da própria Venezuela configura uma negação dos valores e compromissos democráticos essenciais do Mercosul”, avaliou. Ele ressaltou, porém, a existência de sérias dúvidas se a exclusão poderá contribuir efetivamente para uma solução positiva para a crise.
“Na discussão de sábado, serão apresentadas e analisadas diversas informações e pontos-de-vista”, observou o ministro. “Uma das posições, bastante ponderável, é a de que passar da suspensão à exclusão poderá reforçar as teses adotadas pelo governo despótico de Nicolás Maduro sobre um cerco ao inimigo externo.”
Crise
Atualmente, a Venezuela convive com um dura crise econômica, que fez disparar a inflação e gerou problemas de distribuição de produtos básicos, como remédios, comida e papel higiênico. Esse cenário tem motivado muitos cidadãos do país a pedirem refúgio ao Brasil e outras nações vizinhas.
Sob o aspecto político, a situação também é crítica. O governo de Nicolás Maduro tem sido questionado quase diariamente por oposicionistas nas ruas das principais cidades do país. Há registros de mortes em protestos contra o governo venezuelano, como a greve convocada pela oposição e que paralisou parte do país no dia 20 do mês passado.
Dias antes, um “plebiscito simbólico” convocado por diversos setores contrários ao governo bolivariano contou com a participação de mais de 7 milhões de pessoas e rejeitou, também simbolicamente, a proposta de Maduro de convocar uma Assembleia Constituinte para elaborar uma nova constituição federal.
A Venezuela está suspensa temporariamente do Mercosul desde dezembro de 2016. O descumprimento de normas de adesão ao bloco foi o motivo alegado pelos membros dos demais países integrantes, incluindo o Brasil, que mudou a sua orientação em relação ao caso desde que Michel Temer substituiu Dilma Rousseff na Presidência da República, em maio de 2016, em meio ao processo de impeachment da petista, que mantinha relações amigáveis com as autoridades de Caracas. (O SUL)

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