terça-feira, agosto 29, 2017

Time de basquete sobre rodas de carazinho é quarto colocado no campeonato gaúcho

Foto:DM
Pensando em oferecer um esporte que promovesse a inclusão social de deficientes físicos, o professor de educação física, Marcelo Somariva criou em 2006 um projeto que visava a criação de  time de basquete sobre rodas. A iniciativa deu certo. Hoje, quase 12 anos depois, os “Soldados Sobre Rodas Aparecida” estão em quarto lugar no Campeonato Gaúcho da modalidade, entre as sete equipes vindas de Canoas, Novo Hamburgo, Erechim, Santa Cruz e Lajeado. “É um grupo que corre atrás mesmo. Nós somos a menor cidade no campeonato, em número de habitantes, e estamos em quarto lugar, ver o time batalhando e disputando é muito gratificante”, conta Somariva.
Até agora já foram realizadas três etapas do campeonato, a próxima está marcada para setembro, em Canoas. Com integrantes de outras cidades da região, como Panambi e Passo Fundo, os atletas vem aos treinos toda semana, na terça-feira e no sábado. “A região está se mobilizando, vendo que aqui tem um grupo competitivo, encontrando possibilidades. Se trata de um auto desafio para eles, a derrota e a vitória são fatores que ajudam no crescimento”, explica o técnico. O atleta, representante de Panambi, Amauri Buratti, 37 anos, foi convidado a participar da equipe carazinhense há quase três anos e, segundo ele, desde lá não faltou um treino. “Depois do meu acidente perdi o espírito esportivo que eu tinha, a perspectiva de competição. O basquete me trouxe de volta a motivação, vontade de jogar e competir. Fora a amizade com os guris, o professor, fui muito bem acolhido aqui em Carazinho”, ressalta Buratti, que perdeu o movimento das pernas em um acidente há 17 anos e, há cinco, iniciou os trabalhos no basquete e espera ter saúde para continuar treinando. “Formei uma amizade muito grande com o pessoal e vou curtir esse momento, pretendo sempre melhorar”, complementa.
Participando do time desde 2007, para o atleta carazinhense Áureo Tolotti, que nasceu com paralisia, o esporte é um refúgio. “O basquete hoje é a nossa vida, é o jeito da gente estar incluído e foi aqui que eu me achei”, salienta Tolotti, que afirma sentir menos a discriminação atualmente, porém, ainda há o que melhorar na sociedade e infraestrutura do município. “Tem que melhorar a inclusão, porque, às vezes, perdemos oportunidades de emprego, devido aos espaços dentro das lojas, bancos, entre outros. As coisas devem se ajeitar para que possamos estar ainda mais inclusos, estamos lutando por isso”, acrescenta o atleta. Outro veterano do time é o jogador Tiago Meira Gomes, que está no time desde o início e atuou como um dos incentivadores para trazer mais atletas para a equipe. “Como eu estou desde o começo, eu acompanhei essa trajetória. Hoje, estar em quarto lugar no campeonato gaúcho é uma vitória muito grande pra nós. Quando eu entrei no time, além de ajudar na minha saúde, a parte social foi um dos fatores que me motivou muito, para que eu pudesse lutar pelos nossos direitos”, admite Tiago, que também foi presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Carazinho (ADEFIC) durante quatro anos. Como também nasceu nessa condição, Tiago afirma ter sido mais fácil, por se tratar de uma coisa natural, com a qual sempre conviveu, porém, explica que o apoio do time auxilia muito na auto estima de cada um. “A gente vem sempre se ajudando, evoluindo. A melhor coisa que existe é ter essa interação, conhecer as histórias dos outros e ver que estão batalhando e não desistem da vida”, complementa.
Iniciativa
Quando decidiu montar a equipe, Somariva não tinha pretensão de entrar para competições, pois o projeto tinha um intuito de trabalho social e inclusão, porém, a equipe foi crescendo e atingiu a pontuação necessária para participar de campeonatos. De acordo com Somariva, o time só foi possível com o auxílio do Colégio Notre Dame Aparecida, sede dos treinos do time e parceira desde o início. “Esse projeto deu tão certo, pela escola apoiar, por eu gostar e, principalmente, por eles serem um grupo de pessoas amigas, que se respeitam e buscam o melhor, independente de resultados. O importante pra mim é que se criou um grupo familiar”, orgulha-se o técnico, que se sente feliz e realizado em poder fazer parte da equipe e ajudar com seus ensinamentos. Para Tolloti, nada seria possível sem o incentivo e apoio da escola e do professor. “Sem o Aparecida não seríamos nada, porque eles não nos cobram um centavo, cedem o professor e ajudam no que podem. Pedimos o apoio da sociedade e das empresas, porque a gente luta para estar nas competições, e mesmo com as dificuldades, estamos indo e tendo resultados”, salienta o jogador.
De acordo com Somariva, seus atletas são exemplos de vida e de superação e são completamente envolvidos com o time, sempre buscando mais. “São pessoas que batalham. Aqui nós temos casos de pessoas que nasceram com a deficiência e outros que ficaram assim ao longo da vida. Então, eles encontraram no esporte uma alegria para viver, eu me sinto muito grato de conhecê-los”, diz o técnico, que ainda afirma que o esporte serve de alento para muitos. “A gente sabe que a dificuldade é grande, acessibilidade não é em todo lugar que eles encontram, mas a divulgação auxilia na busca pelo espaço deles, que é um direito”, finaliza o treinador.   (Diário AM)

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