sexta-feira, agosto 25, 2017

Vereador Eric Lins solicitar plano de Aula de Professora de Uruguaiana, mas solicitação gera Polêmcia


O requerimento Número 014/17, do vereador Eric Lins (Democratas) aprovado na sessão ordinária de terça-feira (22), gera polêmica antes mesmo de seguir seu trâmite dentro do processo legislativo. No documento, o parlamentar, com base no Regimento Interno do Poder Legislativo, pede o encaminhamento de ofício ao prefeito Ronnie Mello (PP) no sentido que o mesmo determine o envio à Câmara Municipal, do Plano de Aula da professora Mirian Monteiro, bem como o Plano Político Pedagógico (PPP) da escola municipal de Ensino Fundamental Cabo Luis Quevedo, localizada na zona Sul de Uruguaiana.

ANÁLISE DAS AÇÕES NA ESCOLA
Na justificativa do pedido, Lins refere que “os documentos são solicitados para análise das ações tomadas pela professora e escola”, em suas atividades profissionais. A presidente da Associação dos Professores e Profissionais de Educação do Município de Uruguaiana (Apemu) saiu em defesa da professora e da escola. “O vereador não tem atribuição nem conhecimento técnico para analisar tais procedimentos”, afirma Dirce Gracioso Soares. “Seu poder de fiscalização não chega à metodologia e nem à proposta pedagógica de uma escola. É o mesmo que ele solicitar a um médico o relato de seu procedimento em uma cirurgia”, acrescenta Dirce.

PRECONCEITO
Conforme a presidente da Apemu, a motivação para o pedido formal do vereador teria sido o trabalho recente realizado pela professora em que a educadora colocou em discussão na comunidade escolar, por meio de questionário entregue aos alunos, um tema que fez parte de um amplo projeto que culminou com evento dentro da escola. No questionário, segundo Dirce, a educadora levanta questão sobre como as pessoas veem meninos no balé. “O objetivo foi incentivar os alunos à discussão visando desmistificar que dança é coisa de homossexual ou de machismo”, afirma Dirce Soares.

INTERFERÊNCIA INDEVIDA
Conforme a líder da Apemu, o projeto foi coroado de sucesso e incluiu a exibição de um filme cujo protagonista é um menino que sonha em ser bailarino, mas sofre o preconceito do pai. No encerramento, os alunos meninos fizeram apresentação de dança. “Os alunos que não quiseram dançar tiveram a vontade respeitada”, afirmou Dirce. “Com a ação, o vereador está interferindo na atribuição executiva ao pretender entrar nas peculiaridades das funções de servidores contratados via concurso público”, salienta Dirce. “Essa função é exclusiva do Conselho Municipal de Educação e da Secretaria Municipal de Educação”, frisa a presidente.

EMBASAMENTO PALPÁVEL
A diretora da escola municipal Cabo Luiz Quevedo Neuza Alves disse ontem que não recebeu nenhum comunicado oficial sobre o pedido do parlamentar. “Ouvi comentários em grupos de redes sociais, mas não recebi nenhum pedido liberando os documentos internos da escola”, afirmou a diretora. “Enquanto não recebermos nenhum comunicado oficial da Semed ou do prefeito prefiro evitar qualquer posicionamento sem embasamento palpável sobre o assunto”, afirmou Neuza. A diretora disse que a professora irá esperar o momento e o foro certo para expor suas ações.

A BUSCA DA CONCORDÂNCIA
O vereador Eric Lins comentou ontem sobre o seu requerimento frisando que o mesmo foi submetido ao Plenário, mas que poderia ter sido remetido diretamente ao Poder Executivo. “Busco apenas saber se há concordância entre as atividades práticas, o Plano de Aula da professora e o Plano Político Pedagógico da escola”, afirmou Lins. O parlamentar disse que a motivação não consta no requerimento e que os comentários diversos são resultados apenas de deduções. Eric Lins afirma que pretende verificar a adequação das ações do Plano de Aula da professora ao conteúdo programático do PPP da escola.

OMISSÕES
“Também quero verificar se a Secretaria Municipal de Educação estaria sendo omissa e agindo adequadamente”, afirma Lins. Ele ressalta que em sua atividade legislativa tem sim, poder para fiscalizar todos os atos do Poder Executivo e de seus servidores. “Quero deixar claro que todos os atos de minha legislatura visam a fiscalização e o incremento para melhorias no ensino”, afirma o parlamentar. “Nunca meus atos foram contra o Magistério Municipal e sim contra profissionais que possam estar cometendo excessos”, ressaltou. O secretário-geral do Governo Municipal Paulo Fossari, disse que todo e qualquer documento solicitado por legisladores, no exercício de suas atribuições entre as quais está a de fiscalizar o Executivo, será liberado, desde que seja aprovado em Plenário do Poder Legislativo. (Diário da Fronteira)

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