segunda-feira, setembro 11, 2017

ONU diz que podem ter sido cometidos crimes contra a humanidade durante protestos contra o governo da Venezuela

Foto: Divulgação
O alto comissário da ONU (Organização das Nações Unidas) para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad al Hussein, afirmou nesta segunda-feira (11) que podem ter sido cometidos “crimes contra a humanidade” na Venezuela durante os protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro. Ele pediu ao Conselho de Direitos Humanos da entidade que abra uma investigação internacional.
“A minha investigação sugere a possibilidade de que possam ter sido cometidos crimes contra a humanidade, algo que só pode ser confirmado por uma investigação penal posterior”, apontou o diplomata jordaniano em seu discurso de abertura da 36ª sessão do Conselho de Direitos Humanos .
Zeid disse que apoia o conceito de uma Comissão Nacional da Verdade e Reconciliação, mas considerou “inadequado” o mecanismo atual, e pediu que seja remodelado “com o apoio e o envolvimento da comunidade internacional”. Além disso, pediu ao Conselho de Direitos Humanos da ONU que estabeleça uma “investigação internacional” sobre as violações de direitos humanos na Venezuela.
O alto comissariado apontou que “há um perigo real” de as tensões no país se intensificarem ainda mais depois que “o governo esmagou instituições democráticas e vozes críticas, inclusive mediante processos penais contra líderes opositores, utilizou o recurso de detenções arbitrárias, de uso excessiva da força e de maus-tratos de detidos, que em alguns casos equivale à tortura”.
Zeid lembrou que a Venezuela é um membro do Conselho de Direitos Humanos e que, como tal, “tem um dever particular na hora de salvaguardar os padrões mais elevados na promoção e proteção dos direitos humanos”. O diplomata jordaniano fez essas observações pouco antes do discurso perante o Conselho de Direitos Humanos do chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, e poucas semanas depois que seu escritório publicou um relatório sobre as “extensas” violações de direitos humanos cometidas durante os protestos antigovernamentais entre 1º de abril e 31 de julho, sobretudo por parte das forças de segurança e unidades militarizadas.
As Nações Unidas detalhou no relatório o uso de força excessiva e letal, possíveis execuções extrajudiciais, maus tratos e inclusive torturas, detenções arbitrárias e desaparecimentos forçados temporários, revistas ilegais e violentas de moradias particulares, julgamentos de militares contra civis e ataques contra jornalistas e ataques e restrições contra opositores.
Maduro
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, chegou nesta segunda-feira à Argélia para uma visita oficial para tratar de petróleo e estreitar as relações entre os dois países. Segundo um comunicado da presidência argelina, Maduro terá, desta vez, mais tempo para “avaliar o estado das relações bilaterais de amizade e cooperação e procurar fórmulas para a sua consolidação”. (O SUL)

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