segunda-feira, setembro 18, 2017

Pai dos irmãos Joesley e Wesley Batista foi oficializado como o novo presidente da JBS/Friboi após a prisão dos filhos

O conselho de administração da JBS/Friboi, maior empresa de proteína animal do planeta, escolheu José Batista Sobrinho, conhecido como Zé Mineiro, como novo diretor executivo. Ele vai substituir Wesley Batista no comando do grupo, após a prisão do empresário na última quarta-feira (13).
Patriarca do grupo, Zé Mineiro vai permanecer no cargo até 2019, quando terminaria o mandato de filho. Wesley Batista Filho foi eleito como diretor estatutário.
A reunião extraordinária do colegiado começou às 19 horas de sábado e se estendeu até a uma da madrugada. O nome foi aprovado por unanimidade, mesmo pela conselheira do BNDES, Claudia Santos.
A família Batista vinha, nos últimos dias, se articulando para manter o comando da JBS, após a prisão de Joesley e Wesley Batista. Sócio minoritário com 21% de participação, o BNDES exerceu forte pressão para afastar os Batista do negócio.
Foram crescendo as chances de o conselho de administração eleger um membro da própria família para substituir Wesley na presidência, em vez de apontar um executivo profissional.
A decisão foi tomada rapidamente, porque o colegiado não queria deixar a JBS acéfala por muito tempo. Na quarta-feira (13), logo após a prisão de Wesley, os conselheiros se recusaram a indicar um interino.
Três nomes da segunda geração dos Batista foram avaliados para o comando da gigante de alimentos. Um dos mais cotado era Wesley Batista Filho, que já dirige os negócios de carne bovina da empresa nos EUA e conta com a confiança dos executivos.
Além do fundador José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, outra possibilidade era o mais velho dos irmãos, conhecido como Junior Friboi. Junior já presidiu a JBS, mas vendeu sua parte e abriu o próprio negócio. Em razão disso, as chances de que ele assumisse o negócio eram menores.
Mercados começam a tirar do “armário” carne da marca Friboi
Depois de passar meses em uma espécie de ostracismo, a marca Friboi, principal nome da linha de produtos da JBS, voltou a aparecer nos folhetos de ofertas que supermercados e atacarejos distribuem a seus clientes.
Nas últimas semanas, a rede Extra destacou peças de contrafilé e alcatra Friboi em seu encarte com anúncios de promoções. A rede Guanabara, do Rio, também voltou a expor a marca -a mais recente foi na quinta-feira (14), já após a prisão de Wesley Batista, presidente da JBS.
Roldão, Makro e Dia também são alguns dos mercados que expuseram recentemente em seus tabloides de ofertas as carnes da Friboi, marca que vinha sendo evitada desde que a delação dos irmãos Wesley e Joesley Batista revelou os atos de corrupção praticados pela cúpula da JBS, em maio.
“Essas veiculações tiveram grande redução em junho e julho. A partir de agosto voltaram a ser mais frequentes”, diz Marília Taboada, administradora do site Ofertas de Supermercados, que fez levantamento da presença da marca Friboi nos tabloides.
A notícia de que a empresa admitia ter pago propina a políticos desencadeou reações por parte de consumidores e entidades de defesa nas redes sociais, com manifestações de repúdio e ameaças de boicote aos produtos da JBS -especialmente Friboi.
Em resposta, varejistas e a própria fabricante passaram a tratar com discrição o nome Friboi, que a JBS até então exibia ostensivamente nas propagandas de TV com celebridades de cachês milionários como Tony Ramos.
Menos associadas à imagem dos Batista, outras marcas da JBS, como Seara e Doriana, não tiveram seus anúncios descontinuados.

A confecção dos tabloides é realizada pelos varejistas, que consultam os fabricantes sobre o interesse em anunciar promoções a cada edição, cobrando por isso.
As negociações comerciais entre varejo e indústria costumam ser fechadas em pacotes que abrangem todos o material de comunicação para promoções de produtos, incluindo anúncios em TV, rádio, impressos e internet.
Quando começaram os ataques de consumidores à Friboi, a JBS recuou a exposição da marca. Em substituição, ela passou a exibir mais outros nomes do portfolio, como Maturatta e Do Chef.
Procurada, a JBS diz que “o marketing de ponto de venda é utilizado pela Friboi de modo recorrente há anos, não havendo nenhuma iniciativa extraordinária ou inédita em andamento”.
Há exatos seis meses, os frigoríficos brasileiros amanheceram com a notícia da Operação Carne Fraca. Em maio, veio o escândalo de corrupção delatado pela JBS. Em junho, os EUA anunciaram suspensão de compra de carne do Brasil por problemas sanitários.
Com estratégias para salvar sua imagem, a indústria de carnes ainda se esforça para reagir ao pesadelo de escândalos em série que a assombrou neste ano. (Folhapress)

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