sexta-feira, dezembro 08, 2017

Rio Grande do Sul é um dos estados com o maior número de roubo e clonagem de veículos do Brasil


O estado não segue a tendência nacional que exige mais segurança no processo de fabricação e comercialização de placas veiculares, o que facilita o crime.

O Rio Grande do Sul pode ser considerado hoje como um verdadeiro polo de distribuição de veículos roubados do país, afirma a polícia civil, que realiza diariamente um trabalho na investigação de quadrilhas especializadas neste crime que cresce em todo o Estado.


Bandidos conseguem agir livremente através de verdadeiras organizações que utilizam da inteligência para subtrair veículos, fazer o processo de clonagem e em seguida revende-los ou reutiliza-los para praticar crimes ainda mais graves. Muitos dos casos de latrocínio, sequestro, homicídios, contrabando e tráfico registrados no estado envolvem veículos de origem criminosa.


O estado apresenta um dos maiores índices de roubos de veículos, no ranking divulgado pelo Anuário de Segurança Pública, Rio Grande do Sul aparece na terceira posição. Já entre as capitais, Porto Alegre dispara em primeiro lugar, com a média de 1.466 roubos por 100 mil veículos.  Na soma total, no ano passado foram 17.629 carros roubados no Rio Grande do Sul, segundo dados atualizados da Secretaria de Segurança do Estado, até setembro deste ano já foram relatados 13.547 veículos roubados, comparado ao mesmo período do ano passado, esse número já foi ultrapassado, a média diária é de 48 roubos desse tipo por dia, ou seja, a cada 30 minutos um morador gaúcho teve seu carro levado por bandidos. O índice não considera o número de furtos de veículos, no qual inclui a ameaça ou violência. Se somados, furtos e roubos chegam a 37.185 casos, já que foram contabilizados 19.556 casos de furtos.  


Este tipo de crime é mais comum nas capitais, e no caso de Porto Alegre, foram registrados 52% dos roubos de veículos no estado. Esse dado é relacionado apenas a casos registrados, podendo haver um número ainda superior, considerando aqueles onde não é feito o boletim de ocorrência. A polícia civil, através da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos do Departamento Estadual de Investigações Criminais, faz constantes operações para prender e desarticular quadrilhas que roubam veículos na capital e interior. Nas investigações, é possível identificar que as quadrilhas atuam no estado usando cada vez mais tecnologias ousadas, através de um sistema organizado para roubar e clonar os veículos.



MÊS/ OCORRÊNCIA
ROUBO DE VEÍCULOS
Jan/2017
1.755
Fev/2017
1.622
Mar/2017
1.760
Abr/2017
1.517
Mai/2017
1.519
Jun/2017
1.382
Jul/2017
1.347
Ago/2017
1.356
Set/2017
1.289
Total/
13.547
            Fonte: Estatística da Secretária de Segurança do Rio Grande do Sul


A polícia civil e outras instituições de segurança pública trabalham com a realidade presente na maioria dos estados, tentando conter bandidos e agindo quando o crime já aconteceu. A prevenção, que de fato, seria fundamental para a diminuição dos casos, pode ser considerada como pouco efetiva.

O maior foco dos bandidos que atuam com este tipo de crime são as placas de veículos. Como não há contribuição na segurança através dos procedimentos de produção e comercialização desse item de fundamental importância dos veículos, os bandidos conseguem com facilidade ter acesso a todo o processo de clonagem.


Hoje, o Rio Grande do Sul possui a quarta maior frota de veículos do Brasil, chegando a mais de 6,5 milhões de automóveis circulando, sendo um estado de grande tradição no segmento de placas veiculares e o que possui o maior número de fábricas de placas e tarjetas credenciadas, totalizando mais de 400 empresas no mercado. Deste total, 71 destas empresas estão localizadas na região metropolitana de Porto Alegre, e as outras sete maiores cidades somam 38 estabelecimentos autorizados a fabricar e comercializar placas veiculares. De acordo com o site do DETRAN-RS, as FPTs (Fábricas de Placas e Tarjetas) são responsáveis pela confecção das placas e tarjetas dos veículos novos e usados, sempre mediante prévia autorização do Centro de Registro de Veículos Automotores (CRVA), que são credenciados pelo Detran-RS e funcionam vinculados a alguns cartórios de registro civil das pessoas, entidades de reconhecida idoneidade. 


Desde o ano de 2008, somente as fábricas credenciadas pelo Detran/RS podem confeccionar placas e tarjetas após apresentação do original da autorização de fabricação, emitido pelo CRVA. Ao encaminhar todo o processo para gerar a confecção da placa ou tarjeta, o proprietário do veículo ou seu representante legal recebe uma autorização, com a qual deve dirigir-se ao fabricante para solicitar sua produção, comprovando a autenticidade do pedido. 


Os valores dos produtos comercializados nas fabricas de placas e tarjetas são tabelados pelo Detran/RS. Já as autorizações de fabricação de placas veiculares, emitidas pelos CRVAs (Centro de Registro de Veículos Automotores), são o único vínculo gerado pelo DETRAN para a realização do emplacamento no estado, ou seja, hoje o estado do Rio Grande do Sul não segue a tendência nacional, que exige mais segurança em todo esse processo. O estado hoje possuí um déficit técnico nesse setor, onde existe uma necessidade da utilização de maquinários de alta tecnologia, sistema de rastreabilidade, respeito ao meio ambiente e segurança do trabalho, combate à evasão fiscal em todas as etapas do processo produtivo e comercialização, além de mais empenho em evitar que essas quadrilhas de roubo e clonagem encontrem facilidade para agir. As autoridades e órgãos de segurança pública local, precisam criar medidas de segurança mais rigorosas, exigir critérios mais modernos e tecnologias para que todo esse sistema funcione de forma mais organizada, onde o controle de todo o processo seja mais eficaz. Sem estas ações fica impossível evitar que os casos continuem acontecendo e fazendo mais vítimas. (Jainara Costa/ MTB 0002190)

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