• BB Trade vai financiar troca de produtos no Campo

    Impulsionado pelas tradings desde os anos 1990, e incentivado como um instrumento fácil de crédito, o barter (escambo, na tradução do inglês), tem crescido ano a ano no País. A ferramenta de permuta de insumos por grãos e outros produtos agropecuários, que se transformou em uma “moeda forte”, tem sido uma alternativa importante de financiamento rural. Hoje, esse tipo de captação de dinheiro representa 30% da receita das empresas associadas à Associação Nacional de Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), o equivalente a R$ 13,1 bilhões no ano passado. Não por acaso, a operação despertou o interesse do Banco do Brasil (BB), que anunciou em setembro um produto inédito entre as instituições financeiras. O BB, com o programa BB Trade, se tornou o primeiro banco a disputar uma fatia desse mercado, justamente como financiador da operação. “O mercado de barter é muito grande”, diz Tarcísio Hubner, vice-presidente de Agronegócios do banco. “E tem potencial porque todo produtor precisa de recursos para a safra.”
    O BB pretende atuar como financiador na operação porque não interessa à instituição receber os grãos. Isso ocorre no barter tradicional, no qual a indústria entrega fertilizantes, defensivos, sementes e outros insumos, e, em troca, recebe o pagamento em produtos agrícolas. “No caso do BB Trade, o banco vai dar liquidez a essa operação”, afirma Hubner. “O banco entra com a triangulação, simplificando o processo de barter e assumindo o risco.” O BB possui R$ 188 bilhões para oferecer ao mercado na atual safra, dos quais R$ 112,8 bilhões são de recursos próprios para operações de investimento, custeio, comercialização e para a Cédula de Produto Rural (CPR). É justamente a CPR, um título equivalente a uma promessa de entrega, o caminho para viabilizar o BB Trade entre produtores e empresas.
    O lançamento do novo barter faz parte da estratégia do Banco do Brasil, que sempre foi o maior financiador do agronegócio, mas que há dois anos vem buscando outras oportunidades para atuar mais fortemente na cadeia produtiva. “Podemos ser a solução de crédito para cooperativas, tradings e cerealistas”, afirma Hubner. No município de Bebedouro, no interior paulista, a Cooperativa de Produtores Rurais Coopercitrus utiliza o barter em 20% das operações de crédito aos seus 27,8 mil cooperados. Além de São Paulo, eles estão em Minas Gerais e se dedicam ao cultivo de laranja, limão, cana-de-açúcar, grãos, hortifrútis e pecuária. Os demais 80% são financiados através de recursos próprios da Sicoob Credicitrus, de bancos comerciais e do crédito oficial do governo. Segundo José Vicente da Silva, presidente da Coopercitrus, que faturou R$ 3 bilhões no ano passado, o BB Trade pode ser uma opção. “No nosso caso, a maior parte das operações de barter são para a troca de grãos, como o café, a soja e o milho, por insumos e máquinas agrícolas”, afirma Silva. “Estamos abertos à proposta apresentada pelo Banco do Brasil, desde que o custo seja compatível.” No caso do barter, ele leva apenas o custo da CPR, de 12,7% ao ano, como nos demais negócios com esse papel. O novo barter pode sanar um buraco que começa a ficar cada vez maior: o crédito mais curto no mercado. Nesta safra, o governo está liberando apenas R$ 800 milhões para as cooperativas, do montante de R$ 1,4 bilhão anunciado no início do Plano Safra. Silva acredita que o Banco do Brasil poderia suprir até 30% da demanda de recursos para as cooperativas com o novo produto.
    O Banco do Brasil oferece financiamento para o barter através das CPRs Financeira e de Risco Conveniada. Na primeira estão envolvidos papéis, ou seja, o produtor ou a cooperativa não precisa entregar a colheita e sim valores. Já na de Risco Conveniada, que também pode ser utilizada por agroindústrias, a CPR pode ser liquidada de duas maneiras: de forma financeira ou de forma física, no qual o produtor entrega o produto colhido no campo. Em ambos os casos, o crédito do valor da CPR vai diretamente para as empresas de insumos. E no caso do produtor optar pela entrega física é a empresa de insumos que determina onde a colheita será depositada. “Nesse caso, o banco adquire a CPR física e credita o valor ao emitente para custear a sua produção, diz Hubner. Mas há um pedágio, por enquanto, o BB Trade atende apenas correntistas. (Dinheiro Rural)
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