• Empréstimo de 600 milhões de reais para o governo da Bahia, comandado pelo PT, irrita os aliados de Michel Temer

    O Banco do Brasil acaba de liberar R$ 600 milhões para o governo da Bahia, comandado pelo PT, maior adversário do Planalto. O DEM e o PPS estão em pé de guerra porque o dinheiro chega para o governador petista Rui Costa no ano eleitoral de 2018, quando Rui irá tentar a reeleição. Seu principal adversário na disputa será o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM). Aliado do demista, Arthur Maia (PPS) já falou até em deixar a relatoria da Previdência. E tudo isso acontece enquanto o governo ameaça os aliados de retaliação se não votarem a reforma da Previdência.
    Aliado do governador Rui Costa, o senador Otto Alencar (PSD-BA) diz que o presidente Temer prometeu liberar o empréstimo em troca de os deputados do PSD da Bahia ajudarem a garantir quórum na votação da 2.ª denúncia contra ele.
    O partido cumpriu sua parte com a presença dos cinco deputados do PSD da Bahia no plenário. Eles votaram contra Temer, mas ajudaram a garantir a sessão que decidiu pelo arquivamento da acusação contra o presidente.
    O empréstimo saiu dois meses depois da votação quando já havia ordem judicial para ser liberado. O BB diz que não comenta o assunto.
    A liberação de empréstimo do Banco do Brasil para o governo do PT no Ceará também gerou atrito com aliados da base. No entanto, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), contornou a situação assumindo a paternidade da liberação.
    Incentivador da campanha de Rodrigo Maia ao Planalto, o deputado Danilo Forte (DEM-CE) reforça a corrente da sigla que defende o desembarque do governo Temer. “Se o DEM quer ter uma cara nova, não pode caminhar ao lado das velhas companhias”, diz.
    Mas as articulações em torno de Rodrigo Maia não interromperam as conversas no Palácio do Planalto sobre sucessão presidencial, que giram em torno de Michel Temer e Henrique Meirelles (Fazenda).
    Chantagem
    Na sexta-feira o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou que o governo não vai condicionar a liberação de empréstimos pela Caixa Econômica Federal a governadores ao apoio à reforma da Previdência. Segundo ele, isso nunca foi dito e essa interpretação é mentirosa. Durante entrevista para liberação de financiamento para obras de saneamento para Estados, Marun desafiou acharem, em suas entrevistas anteriores, o trecho em que essa condicionante foi feita. Segundo ele, a questão se assemelha à prática nazista de repetir uma mentira até que ela seja tomada como verdade.
    Mas, na terça-feira, o ministro havia afirmado que financiamentos dos bancos públicos são “ações do governo”, e defendeu fosse discutido com os governadores “alguma reciprocidade no sentido de que seja aprovada a reforma da Previdência”.
    Em protesto contra a fala de Marun, governadores de Estados do Nordeste divulgaram uma nota conjunta manifestando “profunda estranheza” com as declarações, e a ameaçando “promover a responsabilidade política e jurídica dos agentes públicos envolvidos”. No dia seguinte o ministro já havia divulgado nota negando ter atrelado financiamentos ao apoio à reforma, e cobrando “responsabilidade” dos agentes públicos. (Osul)
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