• Donald Trump e Kim Jong-un se encontram em uma reunião histórica em Singapura

    Foto: Reprodução
    Após meses de grande expectativa e tensas negociações, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, se encontraram para uma cúpula histórica em Singapura na noite desta segunda-feira (11), no horário de Brasília. Esta é a primeira vez que um chefe da Casa Branca se reúne com o número um do regime de Pyongyang. E, sobre a mesa, questões delicadas para os dois lados que, enquanto inimigos históricos, começam a sinalizar um entendimento para o fim da tensão nuclear global, embora num caminho ainda longo e repleto de desafios diplomáticos.
    Após um aperto de mão histórico, acompanhado pelo mundo inteiro, os dois líderes apareceram diante das câmeras conversando em tom amigável, com sorrisos, um segundo cumprimento e tapinhas nas costas. Em seguida, Trump sentou-se ao lado de um sorridente Kim na frente de repórteres e disse que estava confiante de que as negociações seriam um “tremendo sucesso”. Os dois mostravam-se cordiais, embora Kim estivesse menos efusivo do que no seu recente encontro com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in. Mais uma vez, os dois apertaram as mãos publicamente.
    “Nós teremos uma tremenda relação. Eu não tenho dúvida”, disse o presidente americano.
    Por sua vez, Kim disse que Coreia do Norte e Estados Unidos superaram o obstáculo de uma história difícil a fim de realizar a cúpula:
    “O caminho para chegar até aqui não foi fácil”, Kim disse, sentando-se à mesa com Trump. “Os velhos preconceitos e práticas funcionaram como obstáculos no nosso caminho, mas superamos todos eles e estamos aqui.”
    A primeira parte da reunião da cúpula incluiu um encontro apenas entre Trump e Kim, acompanhados dos seus tradutores, com o objetivo de estabelecer um laço de confiança entre os dois líderes — ao longo de meses, eles trocaram ofensas mútuas publicamente, além de fervorosas e aparentemente impetuosas ameaças em tom belicoso, o que gerou preocupações globais de uma possível guerra nuclear entre os dois lados. Em seguida, cerca de 40 minutos depois, os dois líderes reapareceram juntos e se dirigiram a uma mesa para um almoço de trabalho com os seus assessores, que trabalharam intensamente por semanas para possibilitar o encontro — que, em maio, chegou a ser cancelado por Trump numa carta endereçada a Kim.
    Do lado de Trump, estavam o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, o chefe de Gabinete, John Kelly, e o conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton. Do lado de Kim, a delegação incluiu o general Kim Jong-chol, que tem sido o braço-direito do líder supremo nas negociações.
    “Trabalhando juntos nós vamos cuidar disso”, disse Trump a Kim no começo da segunda reunião. “Vamos resolver.”
    Em inglês, Kim disse a Trump:
    “Prazer em conhecê-lo, senhor presidente.”
    Com dúvidas restando sobre o que a desnuclearização implicaria, autoridades de ambos os lados conversaram por duas horas para avançar com a agenda do encontro antes da reunião de cúpula da terça-feira (12). Segundo Pompeo, os Estados Unidos estão dispostos a dar à Coreia do Norte “garantias de segurança únicas”, diferentes das propostas até agora, em troca de uma desnuclearização “completa, comprovável e irreversível”.
    A Coreia do Norte, por sua vez, declarou que o encontro representa a possibilidade de “estabelecer uma nova relação” com os Estados Unidos.
    Em Seul, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, mediador do processo de aproximação que culminou no encontro, disse que esta é a “cúpula do século”. No entanto, ele se mostrou cauteloso quanto a um dos principais temas esperados na reunião, a desnuclearização da Península Coreana, indicando que isso pode resultar em um longo processo para a Coreia do Norte. (O SUL)
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