• Candidatos discutem soluções para crise financeira do RS em debate

    Foto: Alina Souza
    A resolução da crise financeira e o investimento em segurança pública foram os principais temas abordados nesta terça-feira durante o debate promovido pelo Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas do Estado do RS (Sescon-RS), pela Rádio Guaíba e jornal Correio do Povo. Sete candidatos ao governo do Rio Grande do Sul participaram da discussão: Eduardo Leite (PSDB), Jairo Jorge (PDT), José Ivo Sartori (MDB), Júlio Flores (PSTU), Mateus Bandeira (Novo), Miguel Rossetto (PT) e Roberto Robaina (PSol). 
    Durante o primeiro bloco do debate, o vice-presidente do Sescon-RS, Maurício Gatti, questionou os candidatos ao Piratini sobre quais medidas devem ser tomadas para evitar a falência total do Rio Grande do Sul.
    Roberto Robaina declarou que a renovação do quadro do funcionalismo é uma das saídas para a crise financeira. "Tem que aumentar a capacidade do Estado de servir ao povo. Os servidores públicos recebem salários baixos e não se pode responsabilizá-los pela crise. Um dos elementos fundamentais para isso é combater a sonegação", disse.
    Eduardo Leite defendeu a ideia de uma mudança estrutural em solo gaúcho. "A questão do gasto com o pessoal tem que ser rediscutida. A disposição de dialogar com sindicatos e servidores precisa existir, principalmente no que diz respeito à discussão sobre a reforma nas carreiras, tudo isso para dar sustentabilidade aos gastos", explicou.
    Júlio Flores comentou que a maior parte dos seus concorrentes teve a chance de consertar os problemas financeiros do Rio Grande do Sul. "Todos aqui estiveram no governo. Acho engraçado eles dizerem que vão resolver os problemas financeiros e dos servidores. Acho isso uma hipocrisia total, porque todos tiveram essa oportunidade", completou.
    Já Mateus Bandeira afirmou que os problemas financeiros não estão diretamente ligados aos servidores. "Os gastos com os inativos mostram que o problema não é o servidor. Há, no entanto, regras benevolentes e diferenciadas para a categoria", indicou. 
    Miguel Rossetto colocou que o atual governo trabalha com números errados e tomou medidas impopulares. "Nós temos que gerar trabalho e emprego. É preciso voltar a ter uma política séria, que enfrenta privilégios. Há uma injustiça no Estado", argumentou.
    Sartori destacou a ideia de continuar no rumo certo após arrumar a casa nos primeiros quatro anos. "Criamos a lei de responsabilidade fiscal e diminuímos cargos de confiança. Além disso, combatemos a sonegação e essa tem sido a nossa maior atividade aqui", colocou.
    Jairo Jorge defendeu a reestruturação do Rio Grande do Sul. "Estou propondo 10 estruturas e não mais 17 secretarias. Com essas medidas vamos enfrentar o problema da receita e fazer o Estado crescer, além de reduzir a carga tributária através da lei do gatilho", avisou. 
    Saúde 
    No segundo bloco, quando os candidatos fizeram perguntas entre si, Robaina acusou Sartori de promover o “desmonte da saúde pública” com atraso de pagamentos aos municípios e com filas de 700 mil pacientes a espera de consultas e exames. Sartori rebateu argumentando que seu governo reduziu em mais de 60% o tempo de espera por consultas médicas e que, em diálogo com prefeitos, quitou repasses aos municípios que estavam atrasados desde 2014. Defendeu como principal medida de seu governo na saúde a capacitação de três mil pessoas para atenderem nas unidades básicas de saúde e a diminuição da mortalidade infantil.
    Educação
    Questionado por Eduardo Leite sobre a educação na zona rural, Rossetto disse que, se eleito, quer fortalecer a rede estadual de educação apostando em medidas de caráter emergencial: o pagamento dos salários dos professores em dia, a manutenção de escolas e garantir a segurança de alunos e professores. Na réplica da pergunta, Leite disse que em Pelotas, onde foi prefeito, priorizou o pagamento dos salários dos servidores e que viabilizou a reforma e ampliação de escolas de educação infantil, aumentando em 2,5 mil o número de vagas. E que, no campo, implantou ainda laboratórios de informática com internet rápida e com instalação de plataformas para aprendizado. 
    Funcionalismo público
    Questionado por Sartori sobre a adesão do RS ao regime de recuperação fiscal, Júlio Flores disse ser "contra todo o projeto”. “O senhor tem tratado o funcionalismo público como deboche”, ressaltou se referindo ao atraso dos salários e afirmando que Sartori privilegiou grandes empresas. O candidato do MDB voltou a defender a privatização de estatais e do plano de recuperação como forma de o RS voltar a crescer. “Nós estamos mantendo os pagamentos dentro do mês. Atrasamos outros fornecedores, sendo que o governador e secretários são os últimos a receber”, defendeu.
    Segurança pública 
    Mateus Bandeira disse que a escalada da criminalidade no Brasil é causada pela ausência do Estado e que investirá no reforço do efetivo policial, no sistema prisional e nas leis. Para ele, é função do Estado cobrar do Congresso Nacional a criação de leis mais rigorosas. Júlio Flores disse que os altos índices de criminalidade têm relação com o tráfico de drogas e que, se eleito, legalizará as drogas para que o Estado possa “controlar a venda”. Prometeu ainda o pagamento em dia dos salários dos servidores da segurança e que lutará pela realização de concursos públicos.  (Correio do Povo)
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