• A greve na Argentina gerou o cancelamento de voos no Brasil nesta terça

    Foto: Reprodução
    A quarta greve geral contra a política econômica do governo de Mauricio Macri, convocada pela principal central sindical da Argentina, paralisa transportes e serviços nesta terça-feira (25) no país. A greve foi convocada no momento em que Macri está em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) e se reunir com investidores para tentar transmitir confiança.
    Pelo menos 15 milhões de pessoas são afetadas pela paralisação, que atinge o funcionamento de ônibus, metrô e trens. Desde o final da tarde de segunda-feira (24), as seis linhas do metrô de Buenos Aires estavam completamente paralisadas. Elas não funcionam até esta quarta-feira (26). Nos aeroportos, empresas como Aerolíneas Argentinas e Latam anunciaram o cancelamento de todos seus voos domésticos, sugerindo aos clientes que reprogramem suas viagens.
    De acordo com a Latam, 187 voos dentro e para fora do país foram cancelados. A companhia informou que os
    passageiros podem solicitar o reembolso do valor do bilhete adquirido, alterar a rota da viagem, ou pedir a reprogramação do voo sem custos.

    Todos os voos operados pela Gol também foram cancelados nesta terça. Os passageiros da companhia impactados por estes cancelamentos poderão remarcar suas viagens sem a cobrança de taxas e de acordo com a disponibilidade. Ou ainda solicitar reembolso ou crédito integral de suas passagens, pelos canais de atendimento.
    A Gol informa que está trabalhando para manter sua operação dentro da normalidade e ressalta que segue os mais
    rigorosos padrões de segurança.

    Além disso, a empresa informou que aqueles passageiros que desejarem reprogramar seus voos, até dentro dos 7 dias seguintes a greve, poderão fazê-lo sem restrições e de acordo a disponibilidade de lugares.
    Os passageiros que desejem reembolsar seus tickets, poderão fazer por meio do mesmo canal que utilizaram para a
    compra.

    A Azul informou que foram cancelados os seguintes voos desta terça-feira: AD8762 (Belo Horizonte-Buenos Aires),
    AD8763 (Buenos Aires-Belo Horizonte), AD8754 (Porto Alegre-Rosário) e AD8755 (Rosário- Porto Alegre).

    Não havia transporte de caminhões, bancos, comércios, escolas, universidades e repartições públicas foram fechadas. Nos hospitais públicos, funcionam os serviços mínimos para emergências. Os serviços de coleta de lixo e postos de combustíveis também foram afetados pela paralisação.
    A greve, promovida pela CGT (Confederação Geral do Trabalho), visa protestar contra os ajustes do governo em meio à crise que afeta o país pela desvalorização abrupta do peso argentino registrada desde o final de abril, a alta inflação (que deve superar 40% em 2018) e a queda da atividade econômica. Os líderes sindicais exigem reposição salarial e também rejeitam o acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional).
    As greves anteriores de 24 horas promovidas contra o atual governo por parte da CGT aconteceram em abril e dezembro de 2017 e no final de junho de 2018. O presidente argentino reiterou que este não é “um momento oportuno” para fazer uma nova greve, que segundo as estimativas terá um custo econômico de aproximadamente 31,6 bilhões de pesos argentinos (US$ 847,16 milhões), o equivalente a 0,2% do PIB (Produto Interno Bruto).
    A expectativa é de que até sexta-feira (28) haja o anúncio de um novo acordo financeiro com o FMI. Em entrevista para a Bloomberg TV na segunda-feira, Macri disse que o país estava perto de atingir um acordo final com o FMI e que havia “chance zero” de que a Argentina daria default em sua dívida externa no próximo ano.
    Crise na Argentina
    Pouco mais de dois anos depois de encerrar a disputa com os chamados “fundos abutres”, a Argentina se viu diante de um novo impasse financeiro. Com a sua moeda despencando, o país subiu a taxa de juros ao maior patamar do mundo, consumiu boa parte de suas reservas em dólares, buscou ajuda do FMI e tentava buscar a confiança de investidores para evitar uma nova corrida cambial.
    O custo desse acúmulo de problemas acaba pesando diretamente no bolso dos argentinos. A expectativa é de disparada de inflação, superando as projeções iniciais. Além disso, o crescimento da economia do país neste ano deve ser menor do que o previsto. O ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, admitiu que “a Argentina terá mais inflação e menos crescimento num curto prazo”.
    Em junho, o governo argentino assinou um acordo com o FMI de US$ 50 bilhões. A primeira parcela, de US$ 15 bilhões, foi liberada logo após a assinatura, enquanto os outros US$ 35 bilhões estavam previstos para ser liberados ao longo dos três anos de duração previstos para o acordo. (O SUL)
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